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Carajás nunca mais!

Por Adi Spezia


Sessão solene marca os 30 anos de Eldorado dos Carajás, pressiona por políticas concretas e reafirma a luta pela terra como pauta urgente no país


O plenário da Câmara dos Deputados tingiu-se de vermelho e de povo em sessão solene em homenagem ao Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária, realizada na quinta-feira (16). O evento reuniu parlamentares, integrantes do governo, representantes de movimentos sociais e embaixadas para marcar a data e reafirmar a importância da reforma agrária no Brasil.


Direção Nacional do MST, Idalice Nunes, na sessão. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados.
Direção Nacional do MST, Idalice Nunes, na sessão. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados.

Proposta pelos deputados João Daniel e Lindbergh Farias, a sessão trouxe à memória o Massacre de Eldorado dos Carajás, além de destacar a luta histórica pelo acesso à terra e a defesa de políticas públicas voltadas à agricultura familiar e aos povos do campo.


Na tribuna, os participantes ressaltaram o papel da reforma agrária na redução das desigualdades sociais, na produção de alimentos e no fortalecimento da soberania alimentar do país. Ao mesmo tempo, lideranças sociais enfatizaram a necessidade de avançar na democratização do acesso à terra e na garantia de direitos para trabalhadores rurais.


Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados.
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados.

“Nesse marco dos 30 anos de Eldorado dos Carajás, esta sessão solene nos representa muito. Porque, como já destaquei em outras falas, a questão da reforma agrária no nosso país perpassa muitos fatores, e o principal é estrutural. Vai além de simplesmente repartir a terra a cada mudança de governo”, afirma Idalice Nunes, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).


Além do caráter simbólico, a sessão também foi um espaço de pressão política por medidas concretas, com discursos que cobraram maior agilidade na implementação de políticas agrárias e o reconhecimento das lutas históricas dos movimentos do campo.


Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados.
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados.

“A cada Abril Vermelho, ocupações de terra serão feitas, marchas serão realizadas, assim como a distribuição e doação de alimentos. Sabe por quê? Porque boa parte dos alimentos que consumimos — nas feiras, nos assentamentos e em todo o país — é fruto da luta que teve um marco em Eldorado dos Carajás, em 1996”, disse a dirigente do MST.


Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados.
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados.

O compromisso de parlamentares, movimentos sociais e da sociedade brasileira com a reforma agrária e a luta pela terra atravessou os discursos ao longo da sessão. O recado é direto: enquanto houver pessoas sem-terra e terras improdutivas ou ocupadas de forma irregular, a mobilização seguirá.


Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados.
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados.

Massacre de Eldorado dos Carajás


A data de 17 de abril marca um dos episódios mais violentos da história do país. No município de Eldorado dos Carajás (PA), a Polícia Militar reprimiu uma marcha de trabalhadores rurais sem-terra, resultando no assassinato de 21 pessoas e deixando dezenas de feridos — muitos atingidos à queima-roupa.


Segundo a Comissão Pastoral da Terra, a região sul do Pará continuou registrando altos índices de violência contra trabalhadores rurais nas décadas seguintes.


Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados.
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados.

O episódio, que se tornou símbolo da luta pela reforma agrária e da impunidade no campo, teve repercussão internacional e transformou a data em referência da mobilização. Três décadas depois, em 2026, o caso ainda é marcado por lacunas na responsabilização efetiva.

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