Fim da escala 6x1 avança na Câmara
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CCJC da Câmara dos Deputados aprovou o fim da escala 6x1, agora propostas seguem para Comissão Especial; votação das PECs no Plenário pode ocorrer até o fim de maio
Por Adi Spezia
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade de duas propostas de emenda à Constituição (PECs) — a PEC 221/19 e a PEC 8/25 — que propõem o fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho para um de descanso) no Brasil. A análise havia sido adiada na semana passada após pedido de vista de dois deputados. Agora, os textos serão analisados por uma comissão especial e, posteriormente, pelo Plenário da Casa.

A PEC 221/19 propõe a redução gradual da jornada semanal de trabalho das atuais 44 para 36 horas, com transição ao longo de 10 anos. Já a PEC 8/25 prevê uma escala de quatro dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas. Ambas as propostas têm ganhado força com o movimento “Vida Além do Trabalho”, que busca melhorar a saúde mental e a qualidade de vida dos trabalhadores.
A sessão da última quinta-feira na CCJ foi marcada por forte polarização. De um lado, estavam os que defendem o fim da escala 6x1 e a melhoria das condições de trabalho; de outro, parlamentares preocupados com os impactos no mercado e nos lucros empresariais.

Relator da proposta na CCJ, Paulo Azi (União-BA) afirmou: “Hoje, no Brasil, quem mais trabalha efetivamente é quem ganha menos”. Por sua vez, Tarcísio Motta (Psol-RJ) destacou os impactos na saúde e nas relações familiares: “o trabalho, que deveria dignificar, está sendo um motivo de sofrimento”.

Já o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), autor da PEC 221/19, definiu a escala 6x1 como uma “escravidão moderna” que prejudica a saúde de 31,7 milhões de trabalhadores. Ele também afirmou que “a mudança na jornada aumentará a produtividade e a formalização do emprego, combatendo o estresse que afasta do trabalho 500 mil pessoas por ano e sobrecarrega a Previdência Social”.
Por outro lado, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) alertou que uma “mudança apressada pode gerar desemprego e uma quebradeira geral na economia”. Kim Kataguiri (União-SP) afirmou que “a medida não beneficia os trabalhadores informais, que são a maioria no Brasil”, acrescentando que “o trabalhador vai enxergar que foi enganado”.
Com a aprovação na CCJ, as propostas seguem agora para uma comissão especial, onde serão debatidas em audiências públicas com trabalhadores e empresários. Depois, precisarão passar por duas votações no Plenário da Câmara antes de seguir para o Senado.
A criação da Comissão Especial sobre a escala 6x1 ocorreu na sexta, 24, pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A votação das PECs no Plenário pode ocorrer até o fim de maio, mês tradicionalmente dedicado às pautas trabalhistas.
Além das propostas em tramitação na Câmara, o Senado Federal analisa a PEC 148/2015, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que também trata da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6x1. O texto aguarda votação no Plenário.




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