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Com marcha em Brasília, MPA encerra 4º Encontro Nacional

Mobilização reuniu 1,3 mil camponeses na UnB em defesa da soberania alimentar e da reforma agrária.


por Adi Spezia


O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) encerrou, na quinta-feira (14), o 4º Encontro Nacional com uma marcha em Brasília e a divulgação de cartas políticas que reafirmam o compromisso do movimento com a soberania alimentar, a organização popular e a construção de um Projeto Popular para o Brasil. O encontro reuniu mais de 1,3 mil camponeses e camponesas de 20 estados, além de representantes internacionais, em meio às celebrações dos 30 anos do movimento, na Universidade de Brasília (UnB).


Foto: Assessoria do MPA Brasil
Foto: Assessoria do MPA Brasil

Com bandeiras vermelhas, palavras de ordem e denúncias contra o avanço do agronegócio e a demora do governo federal em garantir que as políticas públicas cheguem aos territórios rurais, a marcha rumo ao Congresso Nacional mobilizou o centro político do país.


“Quem alimenta o Brasil exige respeito. Queremos crédito para produzir e políticas públicas que cheguem ao roçado. Comida de verdade nasce das mãos do povo camponês”, entoavam os manifestantes.

A marcha ecoou reivindicações por reforma agrária, fortalecimento da agricultura camponesa, acesso ao crédito, produção de alimentos saudáveis e combate à fome. Também criticou o avanço do agronegócio e cobrou medidas concretas do Congresso Nacional em favor da agricultura familiar e camponesa.


O ato simbolizou a reafirmação do campesinato organizado diante dos desafios atuais do campo brasileiro. “Nosso encontro demarca o caráter de um movimento que luta pela garantia dos direitos do povo trabalhador no campo e na cidade, nas águas e nas florestas, e pela construção de uma sociedade justa e igualitária”, destacou Marli Souza, dirigente do MPA.


Carta política reforça defesa da soberania alimentar

Na Carta Política do 4º Encontro Nacional, o MPA reafirma a defesa da agroecologia, da soberania alimentar e da organização popular diante da crise climática e do avanço do agronegócio. O documento denuncia a concentração de riquezas e a exploração da Amazônia por grandes corporações, além de reforçar a importância da aliança entre campo e cidade.

Foto: Assessoria do MPA Brasil
Foto: Assessoria do MPA Brasil

Entre as prioridades estão o fortalecimento da Missão Josué de Castro, a valorização das mulheres, juventudes, povos indígenas, quilombolas e população LGBTQIAPN+, além da ampliação da formação política nos territórios.


A carta também manifesta apoio à Palestina, Cuba, Venezuela e ao povo Saaraui, além de defender a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. Ao final, convoca a militância a fortalecer as mobilizações populares e a luta por reforma agrária, moradia, educação e crédito para a produção de alimentos.


MPA Mirim denuncia impactos ambientais

Durante o encontro, também foi divulgada a “Carta do MPA Mirim”, construída por 83 crianças e adolescentes das comunidades camponesas participantes do Encontro Nacional do MPA Mirim, realizado paralelamente ao evento principal.


No documento, as crianças denunciam o calor intenso, a venda de alimentos com veneno, as queimadas, a monocultura e a falta de escolas, lazer e segurança nas comunidades rurais. A carta também destaca elementos que fortalecem a vida comunitária, como festas populares, brincadeiras ao ar livre, feiras agroecológicas, rios limpos e a alimentação produzida pelas próprias famílias.


Entre as principais reivindicações apresentadas está a criação de mais cirandas nas comunidades camponesas, ampliando os espaços de convivência, escuta e participação de crianças e adolescentes no movimento.



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