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MPA celebra 30 anos com encontro nacional

Realizado em Brasília, o 4º Encontro Nacional reuniu 1,3 mil agricultores de 20 estados em debates sobre agroecologia, reforma agrária, alianças populares e resistência do campesinato brasileiro


por Adi Spezia


O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) celebrou seus 30 anos com o 4º Encontro Nacional, realizado no Centro Universitário Athos Bulcão, da Universidade de Brasília (UnB), em Brasília (DF). O evento reuniu 1,3 mil agricultores e agricultoras de 20 estados, entre os dias 11 e 14 de maio de 2026, reforçando alianças populares e reafirmando a luta camponesa em defesa da soberania alimentar, da agroecologia e dos direitos dos povos do campo.


Foto: Assessoria do MPA Brasil
Foto: Assessoria do MPA Brasil

São “30 anos de luta e afirmação camponesa, construindo soberania alimentar e nacional”, afirma o movimento, que nesta edição também homenageou um de seus fundadores, Frei Sergio Görgen, falecido em fevereiro deste ano. O encontro ainda prestou homenagem à trajetória histórica do MPA e à memória de Frei Sérgio com a criação da “Tenda da Memória”, espaço dedicado à preservação da história das lutas camponesas, reunindo fotografias, documentos, bandeiras e materiais históricos do movimento.


O 4º Encontro Nacional representa a afirmação de um novo ciclo, aponta Anderson Amaro, coordenador nacional do movimento. “Como vamos ampliar nossa contribuição na luta popular? Vivemos altos e baixos na história do campesinato, momentos de ascenso e descenso. Aprendemos a ser resilientes e, sobretudo, a exercer nossa unidade. No momento de crise, revela-se a necessidade de uma unidade na prática, não só interna, mas também com os demais sujeitos que têm bandeiras em comum”, afirma Anderson.


O encontro foi marcado por debates políticos, atividades culturais, momentos de formação, feira camponesa e articulações internacionais. Entre os principais temas discutidos estiveram a soberania alimentar, a crise humanitária e climática, o avanço do imperialismo sobre os territórios e a necessidade de fortalecer a unidade entre movimentos populares do campo e da cidade.


Lideranças do movimento destacaram que o encontro simboliza um novo ciclo de organização e resistência do campesinato brasileiro. “Estamos vivendo uma crise humanitária. O imperialismo tenta dominar nosso modo de vida. É momento de afirmarmos, neste grande encontro, nossas bandeiras de luta e entendermos melhor os desafios atuais”, aponta o coordenador do MPA.


A programação também valorizou a cultura camponesa por meio do Festival Cultural e da Feira Camponesa, com exposição de alimentos, sementes, produtos da sociobiodiversidade e apresentações artísticas de diversas regiões do país. A participação das crianças, juventudes, mulheres e coletivos de diversidade foi apresentada como parte central da construção do futuro do movimento.


“Aqui vemos o MPA em sua pluralidade de sementes e comunidades tradicionais em defesa do território. A feira reafirma que quem alimenta o Brasil exige respeito; este espaço é uma fotocópia fiel do nosso país”, assegura Líria Aquino, do MPA no Piauí, que também integra a equipe de coordenação da feira, ao listar a diversidade produtiva dos camponeses e camponesas.


Outro destaque foi a dimensão internacional do encontro, que promoveu debates sobre solidariedade entre os povos, soberania alimentar e enfrentamento ao modelo do agronegócio. Também houve diálogo com instituições parceiras, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com o lançamento de materiais sobre agroecologia camponesa e promoção da saúde.

Foto: Assessoria do MPA Brasil
Foto: Assessoria do MPA Brasil

“Vim ao 4º Encontro do MPA [Movimento dos Pequenos Agricultores] e foi incrivelmente interessante porque ainda há muito a ser resolvido no Brasil, problemas de todos os tipos, mas o principal é a questão da terra. A reforma agrária continua sendo o calcanhar de Aquiles do país. Se não houver uma reforma agrária profunda e real, será muito difícil resolver o problema da alimentação, da soberania alimentar”, avalia Aleida Guevara, filha de Che Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana.


“E o movimento campesino aqui no Brasil apoia muito Cuba. E o mais bonito para mim é que o campesinato, no evento, falou sobre socialismo”, completou Aleida Guevara.

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