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Com reforma trabalhista de Milei, argentinos poderão receber salários em batatas!

por José Pires


No último dia 20, o Senado argentino aprovou a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei. Depois de semanas de intensos protestos e greves promovidos por centrais sindicais, a Câmara dos Deputados deu aval às mudanças que prometem soterrar os direitos trabalhistas de nossos hermanos.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A reforma permite o aumento da jornada de trabalho de 8 para 12 horas diárias com limite de 48h semanais. Mas como os argentinos trabalharão muito mais, o excedente vira banco de horas. É o fim das horas-extras.


Também prevê algo chamado de "negociação salarial dinâmica". Aqui, os patrões teriam maior liberdade para negociar novas condições após a assinatura do contrato. Ou seja, mais direitos podem ser suprimidos e novas barganhas enfiadas goela abaixo dos trabalhadores depois do contrato assinado.


A reforma de “El Loco” ainda amplia a lista de "serviços essenciais" que têm restrições ao direito de greve. E estabelece alterações na lei sobre sindicatos. As assembleias sindicais, por exemplo, não poderão interromper o funcionamento normal da empresa e precisarão da autorização do empregador. Imagine o patrão autorizando uma assembleia que debaterá mobilizações contra seus desmandos.


Entretanto, o ponto mais insano da reforma de Javier Milei certamente é o que permite o pagamento de salários em moeda nacional ou estrangeira (peso, dólar, guarani, bitcoin) e também uma parte em "benefícios em espécie, moradia ou alimentação".


Trocando em miúdos, o trabalhador argentino poderá receber em produtos. Um trabalhador da área têxtil pode receber parte de seu salário em panos (ou em trapos); o que trabalha na colheita de cana pode receber em açúcar (ou cachaça) e o que trabalha no campo pode receber em cenouras ou batatas!


Além disso, um puxadinho pode ser considerado moradia e entrar como parte do pagamento. Aqui no Brasil chamamos isso de “trabalho análogo à escravidão”. Lá na Argentina estão chamando de “Plano de Choque”. A julgar pelo mentor da Lei, tá mais pra “Plano de Eletrochoque”.

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