Fim da escala 6x1 une trabalhadores na véspera do Primeiro de Maio
- lazzarimlouize
- há 2 horas
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Metade do total de trabalhadores do setor de serviços e 61% dos que trabalham no comércio são obrigados a suportar a escala 6x1, com efeitos perniciosos sobre a saúde e o convívio familiar. Os dados foram apresentados pelo economista Sandro Silva na quinta-feira (30), durante o Seminário Estadual pelo Fim da 6x1, realizado pela CUT Paraná com a participação de outras centrais sindicais e movimentos populares.

O Seminário é parte das comemorações do Dia do Trabalhador organizadas pela CUT Paraná, que na quinta-feira (30) incluiu o Festival Cultural pelo Fim da Escala 6x1, com apresentações da bateria da Escola de Samba Rosa do Povo e das bandas Relespublica e Striq.
Sandro Silva ressaltou que a redução da jornada de trabalho é uma luta histórica do movimento sindical no Brasil, que agora ganha força com as mobilizações pelo fim da escala 6x1. Ele mostrou números que confirmam a abrangência da medida: 62% dos trabalhadores do Brasil trabalham jornadas acima de 40 horas semanais, contratualmente.
Trabalhadores mal remunerados são obrigados a encarar as jornadas mais longas, apontou o economista, que coordena o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio Econômicos (Dieese) no Paraná. “Quando a gente olha para os setores a gente vê muita diferença. Aqui no Paraná, na construção civil quase 90% dos trabalhadores têm contratos de mais de 40 horas semanais. No comércio, a mesma coisa, 90%. Na indústria, 88%. Então a gente observa que alguns setores, a grande maioria dos trabalhadores têm jornadas superiores a 40 horas”, afirmou.
Os números confirmam que os brasileiros trabalham muito, ao contrário do que dizem os defensores da manutenção da escala 6x1. “Seja 6 por 1, 5 por 2 ou 4 por 3, trabalhando com os dados que a gente tem, é evidente que a gigantesca maioria dos trabalhadores trabalha mais de 40 horas”, observou Sandro Silva.
Além dos efeitos pessoais e sociais positivos, como mais tempo para o lazer e convívio familiar, o fim da escala 6x1 teria grande impacto econômico, com a criação de 3 milhões de empregos no Brasil.
O presidente da CUT Paraná, Márcio Kieller, ressaltou a unidade da classe trabalhadora na luta pelo fim da escala 6x1. “Quero agradecer aos companheiros da UGT, da CTB, da Nova Central, da CSB e do VAT, que toparam fazer esse seminário junto conosco. Precisamos discutir e levar para as ruas esse tema, justificando que é para ter mais tempo para viver, para se divertir com as nossas famílias, para poder conhecer novos lugares, para poder ir a shows, para poder ter tempo de fato para viver”, disse.
A popularidade do fim da escala 6x1 é atestada por Luan Azevedo, integrante do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT). “Nosso Movimento Vidas nasceu de um vídeo feito por um balconista (Rick Azevedo), um homem negro gay, da periferia do Rio de Janeiro que, depois de um dia inteiro de trabalho, questionou no TikTok e no Instagram sobre a escala de trabalho dele. E diversas, milhares de pessoas começaram a comentar e a falar nas redes sociais dele, pois também passavam por esse processo de exploração”, afirmou.
“Nossa luta é nas ruas e nas redes. Quando a gente vai para as redes sociais, a gente quer comunicar com a população de verdade, com o trabalhador da periferia de Curitiba. Eu, que já fui trabalhador da escala 6x1 e moro na periferia no Tatuquara, eu quero conversar com essa população”, afirma Luan. “A panfletagem mais efetiva que eu tive no VAT foi na frente de uma igreja evangélica. É preciso conversar com essa população, conversar com os trabalhadores nos pontos de ônibus”, completa.




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