Comunidade da Lagoa Azul se mobiliza em defesa do direito à moradia
- Vigília Comunica

- 14 de mai.
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por Luis Lomba
Organização, mobilização e resistência são as armas das 250 famílias para manterem suas casas e impedirem a desocupação da comunidade Lagoa Azul, localizada no bairro Capela Velha, em Araucária. Nesta quarta-feira (13) a comunidade se reuniu com representantes do Judiciário, que reafirmaram a decisão de desocupar a área. No final do encontro, moradores anunciaram manifestação na Câmara Municipal na próxima terça-feira (19), para pressionar os vereadores a envolverem a prefeitura na busca de uma solução com moradia digna para as famílias que vivem ali.

“Buscamos diálogo para que a gente chegue a uma solução, seja a permanência na área, nossa alternativa preferida, seja sair para casas regularizadas e dignas em outro local. O que não dá aceitarmos o aluguel social precário, nem a violência de um despejo”, pontuou Paulo Bearzoti, dirigente do Movimento Popular por Moradia (MPM), que organiza os moradores da ocupação.
O objetivo da mobilização da próxima semana é tirar a Prefeitura de Araucária do imobilismo e conseguir que apresente proposta de moradia popular para o povo da Lagoa Azul. O município é o terceiro mais rico do Paraná, atrás apenas de Curitiba e São José dos Pinhais, e arrecada muito principalmente com a Refinaria Presidente Getúlio Vargas, carro-chefe da economia local. No entanto, tem fugido do problema e sequer enviou representante para a reunião desta quarta feira (13).
A comunidade da Lagoa Azul ocupa há quatro anos uma área que é reclamada judicialmente pelas empresas Viga Forte e Bela Vivenda, que tiveram seus direitos de propriedade reconhecidos pelo Judiciário em 2025. Há decisão judicial determinando a desocupação. O que se busca agora é uma alternativa para realocar as famílias. “Nesse processo judicial está sendo pedida uma violência contra essas famílias. Sempre combatemos toda violência contra o cidadão que está lutando por sua moradia, juntamente com a associação de moradores”, afirma Bruno Meirinho, advogado e dirigente do MPM.
A Associação de Moradores da Lagoa Azul tem enfrentado dificuldades de dialogar com a prefeitura. “Eles entraram em contato e disseram que não têm uma terra para colocar a gente. Aqui temos pessoas que precisam da terra para morar, temos crianças, deficientes físicos, acamados, idosos, gestantes… Se vivemos na ocupação não é porque a gente quer, é porque a gente precisa”, diz Angélica da Silva, presidente da Associação.
O Judiciário foi representado na reunião desta quarta feira pelo juiz José Augusto Guterres , coordenador da Comissão de Soluções Fundiárias do Tribunal de Justiça do Paraná. “Temos uma decisão judicial que cedo ou tarde terá que ser cumprida. Não temos prazo ainda e há um caminho a percorrer com relação a como fazer esse cumprimento. Eu sempre coloquei para a prefeitura que o principal é saber para onde as pessoas vão, de forma adequada. E essa resposta, segundo a nossa legislação, é principalmente do município, não exclusivamente, mas é em primeiro lugar do município. E a gente está aqui para chamar a responsabilidade de quem tem que ser chamado”, afirmou o magistrado.

Guterres relatou que teve duas reuniões com representantes da Prefeitura de Araucária nas últimas semanas. “Nesses encontros questionei o que eles têm a oferecer a vocês, inclusive saíram com o compromisso de que haveria representantes hoje aqui, para iniciar um cadastro socioeconômico. Infelizmente apresentaram uma petição no processo dizendo que nesse momento não entendem conveniente fazer isso”, disse. “O que não é possível é uma operação policial que simplesmente retire as pessoas sem ter para onde ir”, acrescentou.
A reunião não trouxe a informação que a comunidade esperava, mas eles se mantêm firmes na resistência à desocupação. “Eu consegui fazer a petição de suspensão da reintegração e vou recorrer até o final, porque aqui só tem família do bem e todo mundo precisa de uma moradia digna”, avalia Angélica, presidenta da Associação de Moradores. “Na semana que vem vamos atrás dos vereadores que só aparecem quando querem voto. É possível resistir, sim. Eu acredito, eu posso perder tudo, menos a minha fé. Então nós vamos para cima e vamos recorrer a todas as partes que tiver de recorrer até a última instância”, finaliza.




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