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Conflitos territoriais e violência contra indígenas aumentam em 2025



Relatório do Cimi aponta crescimento de conflitos por direitos territoriais, assassinatos e outros tipos de violência em meio à demora na demarcação de Terras Indígenas e ao impasse em torno do Marco Temporal


por Adi Spezia


A alta de conflitos territoriais, suicídios e assassinatos de indígenas ocorre em meio a um impasse jurídico e à pressão política e econômica contra as demarcações de terras indígenas. É o que aponta o Relatório Violência Contra Povos Indígenas no Brasil – 2025, divulgado na quinta-feira (13). O estudo é publicado anualmente pelo Conselho Indigenista Missionários (Cimi).

Foto: Hellen Loures\Cimi
Foto: Hellen Loures\Cimi

O evento de divulgação iniciou com cantos e rezas tradicionais do povo Guarani e Kaiowá, do Mato Grosso do Sul. A atividade contou com a presença de lideranças indígenas de diversas regiões do país, do presidente da CNBB e do Cimi, além de organizações de apoio à causa indígena e representantes de órgãos do Estado, na sede da CNBB, em Brasília.


Em 2025, foram registrados aumentos nos três tipos de violência sistematizados na publicação: violência contra a pessoa, contra o patrimônio e por omissão do poder público. Houve crescimento, entre outras categorias, dos conflitos relativos a direitos territoriais, assassinatos, suicídios e da mortalidade na infância.


Conflitos territoriais


Quanto aos conflitos por direitos territoriais, foram registrados 169 casos em 23 estados, atingindo 143 Terras Indígenas. Dois terços dos territórios afetados são áreas com pendência na sua regularização ou sem providência do Estado para sua demarcação, explica Roberto Liebgott, um dos organizadores do Relatório.


Essa predominância “reflete o contexto de morosidade na regularização e na efetivação da posse indígena, inclusive em terras já reconhecidas como de ocupação tradicional desses povos”, afirmam os organizadores do relatório.


Em 2025, os casos relacionados à violência contra o patrimônio e à omissão do poder público totalizaram 1.276 registros: 897 relacionados à omissão e morosidade na regularização de terras, 169 a conflitos relativos a direitos territoriais e 210 a invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio indígena.


Das 1.443 terras e reivindicações territoriais indígenas existentes no Brasil, 897 estão pendentes de alguma medida administrativa para sua regularização. Deste total, 582 ainda não tiveram nenhuma providência para iniciar seu processo demarcatório.


Violência contra a pessoa

Foto: Hellen Loures\Cimi
Foto: Hellen Loures\Cimi

Os casos de “Violência contra a Pessoa” são sistematizados no segundo capítulo do relatório. Em 2025, foram registrados 258 assassinatos de indígenas, número consideravelmente maior do que os 211 casos registrados no ano anterior.


Os estados que registraram maior número de casos foram, novamente, Roraima (82), Amazonas (47) e Mato Grosso do Sul (37).


Segundo os organizadores, “não é possível desvincular as violências e violações registradas em 2025 dos ataques aos direitos territoriais indígenas ocorridos ao longo do ano e do impasse, no Poder Judiciário, em torno da Lei 14.701/2023, conhecida como Lei do Marco Temporal e contestada desde sua promulgação”.

 
 
 

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