CONTO INFANTIL I Um objeto não identificado
- Pedro Carrano
- 7 de jun.
- 2 min de leitura
Por Pedro Carrano

Eles viram o caso da suspeita de Ovni na cidade de Campo Largo.
O filho mostrava pro pai a repercussão na internet. O pai, um cara ligado em astronomia, sempre olhando pro céu em busca de uma estrela, um cometa, um pontinho que fosse. Ligado e desligado. Passou anos nessa vida. Voltado ao próprio mundo. Só que um mundo que se esgotava na idade avançada e diagnósticos incertos.
- A gente está há anos olhando naquela direção e nunca viu nada, né, que inveja.
- Tranquilo, a gente não precisa ter inveja dos outros.
- Quantos quilômetros dá daqui até a Lua?
- Uns 384 mil.
O pai então teve uma ideia e se apegou na decisão.
Pegar o Celta velho e fazer, eles mesmos, o trajeto, ou uma parte, proporcionalmente ao que seria o trecho da Terra até a Lua. Iriam do norte do Paraná até Campo Largo. Reconhecendo, obviamente, que seria uma parte mínima do que os extraterrestres, quem sabe, são capazes de atravessar. Mas um trecho possível de ser feito. Um filme antigo da sessão da tarde tinha uma história semelhante, mas não tinha problema de copiá-lo.
- Vamos fazer uma travessia daqui até Campo Largo em busca de alguma pista do Ovni. Será o nosso trajeto. Como se a gente viajasse pra Lua. Preparado pro embarque?
Lotaram o carro de coisas. Acamparam no caminho. Levaram o final de semana inteiro, relativizando tempo e o espaço. Dormiram numa barraca na primeira noite, com muita expectativa do piá, os olhos no céu pleno de estrelas e com uma Lua gigantesca. Cozinharam na mata, fizeram fogueira, cantaram canções das novas e das antigas.
Perderam aos poucos o contato com o sinal e a repercussão da internet, mas seguiam firmes no caminho. Com certo receio, um cachorro guapeca a tiracolo e uma escopeta velha, com pouca munição, dormiram duas noites na mata, até chegar ao possível local onde as luzes haviam sido vistas.
Encontrariam algo desconhecido? Quem pode saber.
- É aqui o lugar?
- Parece que sim.
- Não tem nada. Que saco.
- Pois é.
- E não dá pra ver nenhuma luz no céu.
- Também não.
- Então?
- O importante nunca esteve aqui mesmo.
- Como assim?
- O que existe está no caminho. E na gente junto.




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