Curitiba ganha um núcleo da Renafro
- lazzarimlouize
- há 7 dias
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Por José Pires
Nos dias 14 e 15/3 Curitiba vai ganhar o primeiro núcleo da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro). A articulação da sociedade civil reúne povos de terreiro, gestores e profissionais da área da saúde, integrantes de organizações não governamentais, pesquisadores e lideranças do movimento negro com o objetivo de promover a saúde da população dos terreiros em todo o país.

O lançamento do núcleo na capital acontecerá no Ilê Asé Tobi Odé Karê Igbo, terreiro localizado no bairro Cajuru que existe há 26 anos e passa a representar oficialmente a rede na capital. O espaço sediará as atividades de inauguração e também será um ponto de articulação entre comunidades de terreiro, profissionais da saúde e movimentos sociais da cidade.
Atualmente, a Renafro está presente em diversas regiões do Brasil. De acordo com informações da própria rede, são 42 núcleos espalhados por diferentes estados. A criação da unidade em Curitiba amplia essa presença e fortalece a articulação local entre saúde pública e comunidades tradicionais de matriz africana.
A coordenação do núcleo curitibano ficará a cargo da Yalorisha Josianne de Ode Kare, líder do Ilê Asé Tobi Odé Karê Igbo. Integrante da rede há quatro anos, ela explica que a iniciativa busca fortalecer o acesso da população de terreiro a políticas públicas de saúde, além de valorizar os saberes tradicionais desses espaços.
Segundo ela, entre os principais objetivos da Renafro estão a defesa do direito humano à saúde; o reconhecimento dos terreiros como locais que também promovem cuidado e bem-estar; o combate ao racismo, ao sexismo, à homofobia, à lesbofobia e a outras formas de intolerância; e o fortalecimento das lideranças religiosas como portadoras de conhecimentos capazes de dialogar e cobrar das autoridades um atendimento de saúde que respeite suas culturas.
“Desde sua criação, a Renafro começou a atuar dentro dos ministérios para aproximar o SUS dos povos de terreiro. Historicamente, enfrentamos muitas dificuldades para conseguir um atendimento público de saúde que considere nossas realidades. Ao longo dos anos, a rede tem trabalhado para derrubar essas barreiras e garantir que os direitos das pessoas que praticam religiões afro-brasileiras sejam respeitados”, afirma Mãe Josianne.
A Renafro surgiu em 2003, em São Luís do Maranhão, durante o II Seminário Nacional Religiões Afro-Brasileiras e Saúde. Desde então, a articulação passou a integrar diferentes espaços de formulação de políticas públicas, como o Comitê Técnico de Saúde da População Negra do Ministério da Saúde, a Comissão Intersetorial de Saúde da População Negra e a Comissão Intersetorial de Saúde da População LGBT do Conselho Nacional de Saúde, além de conselhos municipais e estaduais de saúde.
Para Mãe Josianne, a criação do núcleo em Curitiba também representa uma resposta às situações históricas de racismo e intolerância enfrentadas pelas comunidades de terreiro. “Ao longo do tempo, essas comunidades foram alvo de ataques preconceituosos e tiveram direitos negados. Esse processo afeta diretamente a saúde física e mental das pessoas. Por isso, fortalecer redes de acolhimento, proteção e cuidado é essencial”, afirma.



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