Dino retira sigilo de investigação sobre recursos públicos em filme de Bolsonaro
Relatório da Polícia Civil aponta suspeitas em contrato de R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo; PF também investiga mensagens de Daniel Vorcaro
por Adi Spezia
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou domingo (13) o sigilo da investigação sobre o caso Dark Horse, que apura a possível utilização de recursos públicos no financiamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A decisão abrange materiais reunidos pela Polícia Civil de São Paulo sobre a Go Up Entertainment, produtora da obra. Dino determinou ainda que a Secretaria da Segurança Pública paulista encaminhe à Polícia Federal os dados brutos extraídos de celulares apreendidos, além dos aparelhos, computadores e documentos recolhidos.
A investigação sob relatoria de Dino é uma das duas frentes no STF relacionadas ao financiamento de Dark Horse. O ministro apura possível uso irregular de emendas parlamentares. Outro inquérito, relatado por André Mendonça, também investiga a produção.
Contrato de R$ 108 milhões
Um relatório da Polícia Civil tornado público por decisão de Dino aponta suspeitas de que recursos de um contrato da Prefeitura de São Paulo possam ter sido desviados para financiar o filme.
A apuração envolve o programa WiFi Livre SP, contratado por R$ 108 milhões junto ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, que também é sócia da Go Up.
Segundo o relatório, o ICB recebeu R$ 1.800 por ponto de internet instalado, enquanto a Prodam utiliza como referência R$ 230 para implantação e R$ 306 mensais para manutenção. Dos R$ 69 milhões já pagos ao instituto, os investigadores estimam que cerca de R$ 26 milhões estejam relacionados a serviços que não teriam sido prestados.
A Polícia Civil investiga ainda a possível circulação dos recursos por empresas subcontratadas e organizações ligadas a Karina Gama. A hipótese é de confusão patrimonial e eventual lavagem de dinheiro. A defesa de Karina negou irregularidades e considerou positiva a retirada do sigilo.
Vorcaro e Flávio Bolsonaro
Mensagens e documentos extraídos do celular de Daniel Vorcaro também são analisados na investigação. Segundo a Polícia Federal, o material contém registros que podem indicar a participação de Vorcaro nas tratativas para viabilizar recursos destinados à produção de Dark Horse.
Os investigadores também apuram conversas sobre a movimentação desses valores nos Estados Unidos.
Documentos divulgados por Mendonça na sexta-feira apontam para a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas negociações. Conforme a PF, ele teria atuado como interlocutor na busca por recursos para o filme.
SSP-SP nega quebra da cadeia de custódia
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que os 27 dispositivos apreendidos foram lacrados pela Polícia Civil, na presença de testemunhas, e encaminhados à Superintendência da Polícia Técnico-Científica.
A pasta disse que alguns equipamentos foram inicialmente devolvidos para adequação das embalagens, mas posteriormente foram novamente lacrados e recebidos pela perícia. Segundo a SSP-SP, não houve acesso, extração ou manipulação dos dados nem comprometimento da cadeia de custódia.
“Não houve acesso, extração ou manipulação dos dados, tampouco comprometimento da cadeia de custódia”, afirmou a Secretaria.




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