Estudantes ocupam a Esplanada em defesa da democracia e da reeleição de Lula
Mobilização em Brasília reuniu milhares de pessoas em defesa da educação pública, do SUS, da soberania nacional e do fim da escala 6x1; atos também ocorreram em outras capitais
por Adi Spezia

Milhares de estudantes, representantes de movimentos sociais, apoiadores e parlamentares aliados ocuparam a Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF), na terça-feira (13), em uma mobilização em defesa da democracia e da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ato também reuniu pautas como a valorização da educação pública e gratuita, a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), a soberania nacional, a manutenção de programas sociais e o fim da escala de trabalho 6x1.
Convocada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade de Brasília (UnB) e pela União Nacional dos Estudantes (UNE), a manifestação destacou o protagonismo da juventude na disputa política do segundo turno das eleições presidenciais.
“Esse ato de hoje se soma à mobilização dos movimentos estudantis após o primeiro turno das eleições”, afirmou a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, ao destacar a relevância da atuação do segmento jovem nesta etapa da campanha de reeleição do presidente Lula.
A concentração foi marcada por batucadas, palavras de ordem e um trio elétrico que conduziu a marcha. Apresentações de acrobacia e trompete, além de um boneco gigante de Lula e de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, compuseram o cenário da manifestação. Entre bandeiras, cartazes e leques com as cores do arco-íris, participantes pintados acompanharam o percurso na região central da capital federal.
Quando as luzes da Esplanada foram apagadas, os manifestantes acenderam as lanternas dos celulares, iluminando o local e encerrando um dos momentos marcantes do ato.
Educação pública e oportunidades
A defesa do ensino público e gratuito esteve entre as principais bandeiras da mobilização. Para estudantes, a ampliação do acesso à universidade representa uma oportunidade de transformação social, especialmente para jovens de famílias de baixa renda.
Ana Luiza Moraes, estudante de enfermagem beneficiada pelo Programa Universidade para Todos (Prouni), relatou como a política pública contribuiu para sua trajetória acadêmica.
“Hoje eu curso enfermagem graças a essa iniciativa. Sou uma jovem da periferia aqui de Sobradinho, a primeira da minha família na faculdade”, comemorou.
Em manifestação divulgada durante o ato, o Diretório Central dos Estudantes da UnB também alertou para os riscos de retrocessos nas políticas de educação pública e defendeu a retomada da mobilização popular.
“Só existe uma forma de derrotarmos a extrema direita: é hora de retomar as ruas. Sabemos que as universidades correm o risco de deixar de existir, de serem privatizadas, de a educação pública e gratuita ser trocada por um projeto elitista e que cala as dissidências. Não vamos deixar”.
Juventude nas ruas e disputa pelos símbolos nacionais
O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo do Distrito Federal, Leandro Grass, participou da manifestação e classificou a mobilização como um “dia histórico”.
“Quando a juventude, os estudantes vão pra rua pra defender o Brasil, isso tem que ser reconhecido e valorizado”, afirmou.
A cientista política Julianna Peixoto, por sua vez, destacou a importância de recuperar o verde e amarelo como símbolos nacionais desvinculados de disputas partidárias. A declaração fez referência às cores da bandeira brasileira, frequentemente associadas a manifestações de grupos políticos de direita nos últimos anos.
“É o nosso símbolo nacional, a bandeira mais linda do mundo. É um absurdo ter virado o símbolo de um partido político que não fala com os nossos direitos, com a justiça social, com a democracia. A gente tem que sair nas ruas e tomar o verde e amarelo de volta. Temos que lutar por isso todos os dias, inclusive dia 25”, ao se referir às eleições do segundo turno.
A presença expressiva de jovens na Esplanada evidenciou a aposta dos movimentos estudantis na mobilização popular durante a reta final da disputa eleitoral. No Distrito Federal, onde a direita mantém influência eleitoral há décadas, a manifestação buscou ampliar o engajamento em torno da candidatura de Lula e das pautas defendidas pelos organizadores.





Comentários