Excessos no Ambiente de Trabalho, Assédio e Novas Tecnologias
- lazzarimlouize
- 2 de jun.
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por Dr. Walter de Souza Fernandes
Meus amigos, minhas amigas, a gente sempre insiste que o trabalho deve ser fonte de realização e desenvolvimento humano e não de sofrimento do trabalhador. É papel da sociedade garantir a todo trabalhador a dignidade e a saúde no seu ambiente de trabalho. Por isso, a doutrina social da Igreja insiste na dignidade da pessoa humana e na valorização do trabalho humano, exigindo assim ambientes seguros, justos e fraternos para todos os trabalhadores.

O ambiente de trabalho não pode ser um local de adoecimento do empregado, o adoecimento tanto físico quanto psicológico, muitas vezes é desencadeado por jornadas exaustivas de trabalho, de cobranças abusivas de metas, onde se desvirtua o real propósito do trabalho, que nada mais é do que o florescimento do ser humano, de garantir a ele não só o sustento digno, mas também a prosperidade dele e de sua família. O local de trabalho não pode ser um local de assédio, seja de qual natureza for. Essas práticas de violência psicológica, moral ou institucional, elas destroem a integridade do trabalhador. Elas geram um clima de medo e resultam em graves consequências para a saúde mental. A erradicação de qualquer forma de abuso é uma exigência ética e um dever moral de toda a coletividade. Além disso, é inadmissível que um ambiente de trabalho onde as mulheres não sejam valorizadas ou que, o que é pior, onde elas sejam assediadas. A igualdade de oportunidades e de tratamento é um imperativo de justiça.
A discriminação e o assédio contra a mulher no ambiente profissional ferem profundamente o princípio do respeito mútuo e da igualdade de direitos. Por isso, o papel da sociedade, incluindo o Estado, empresas, líderes e, é claro, nós cidadãos, leigos e leigas, temos também que ajudar a garantir a dignidade no trabalho. A doutrina social da Igreja, por isso, nos dá uma base teológica e ética profundas para a gente conseguir contestar as estruturas do trabalho que oprimem o trabalhador. A pedra angular da doutrina social da Igreja foi lançada lá em 1891 pelo Papa Leão XIII, com a encíclica Rerum Novarum, que foi publicada no auge da Revolução Industrial e denunciava a grave situação dos operários, que eram submetidos a condições desumanas, jornadas exaustivas e salários miseráveis. A encíclica Rerum Novarum estabeleceu então princípios fundamentais que moldaram o direito do trabalho até hoje, reconhecendo que o trabalho não é uma mercadoria, porque o esforço humano não pode ser considerado mercadoria, como um meio de levantar lucros, como um insumo. A dignidade da pessoa humana deve ser respeitada sempre, onde a busca do lucro jamais deve se sobrepor à saúde e ao bem-estar do trabalhador.
Por isso, cem anos depois, lá em 1981, houve uma publicação durante o papado do Papa João Paulo II, de um novo documento reafirmando a Rerum Novarum, que foi a encíclica Laborem Exercens, onde o Papa reafirmou que o trabalho existe para o homem e não o homem para o trabalho. Essa mesma linha doutrinária combate firmemente a discriminação e o assédio contra as mulheres, exigindo condições que respeitem a sua dignidade e que permitam a conciliação entre a vida profissional e a vida pessoal e familiar das mulheres, eliminando disparidades salariais e abusos morais ou sexuais nos postos de trabalho. Agora, quando o novo Papa escolheu o nome Leão XIV, ele já deu a entender a todos qual seria a tônica do seu pontificado, pois, por isso, não é nenhuma coincidência a conexão entre a dignidade humana e o mundo do trabalho ter ganhado agora uma nova atualização, que era urgente com a publicação da encíclica Magnífica Humanitatis, que foi agora recentemente publicada pelo Papa Leão XIV.
Assim, nessa nova encíclica, ele aborda diretamente a necessidade do que ele chamou de salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial, onde as novas configurações de trabalho alertando a sociedade e os governos dos perigos contemporâneos que geram novos tipos de adoecimento e de violência psicológica no trabalho. O texto inclusive condena o que ele chama de gestão algorítmica opressiva, que monitora excessivamente os trabalhadores e gera burnout, ansiedade e desumanização das relações de trabalho. A encíclica adverte que a tecnologia e a pressa do mercado em ganhar dinheiro acaba desvalorizando ainda mais o trabalho feminino e as funções ligadas ao cuidado humano.
O Papa Leão XIV reafirma que os avanços tecnológicos devem servir para libertar o trabalhador de condições degradantes e não para criar novas formas de exclusão, exploração ou mesmo descartabilidade dos empregados. As novas tecnologias não podem servir para eliminar postos de trabalho e muito menos para pauperizar os trabalhadores, aviltando ainda mais eles em seus direitos mais fundamentais. Devendo, sim, as novas tecnologias promover o aumento da produtividade ao mesmo tempo que promove a dignidade dos trabalhadores, garantindo os postos de trabalho. Por isso, meus amigos, minhas amigas, fiquemos alerta e passemos a analisar melhor essas situações.




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