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Fachin assume caso Moraes-Vorcaro e concentra processos ligados ao Banco Master e INSS

14 de set.
3 min de leitura

Presidente do STF também retirou de Moraes a relatoria do Inquérito das Fake News; plenário analisa relatório da PF nesta terça-feira (15)


por Adi Spezia


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, assumiu a condução do caso que apura uma possível relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A decisão ocorre após uma escalada de acusações e medidas envolvendo os ministros Moraes e André Mendonça.


Moraes e Mendonça, ministros do STF. Foto: Adi Spezia\Cimi
Moraes e Mendonça, ministros do STF. Foto: Adi Spezia\Cimi

Fachin determinou ainda que sejam encaminhados à Presidência do STF os processos relacionados às investigações sobre as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Banco Master. As matérias ficam suspensas até nova decisão.


Presidente da Corte, ministro Fachin. Foto: Adi Spezia\Cimi
Presidente da Corte, ministro Fachin. Foto: Adi Spezia\Cimi

O presidente da Corte poderá assumir a relatoria dos casos ou submeter a questão ao plenário. Na decisão, Fachin citou manifestação apresentada por Moraes e mencionou a possibilidade de aplicação do artigo 144, inciso IV, do Código de Processo Civil, que trata de hipóteses de impedimento de magistrados.


“Pelo mesmo fundamento, e considerando o teor da manifestação do e. Min. Alexandre de Moraes (eDOC 11, p. 20, nesta PET 16704), determino a remessa à Presidência das PETs 15.041 e 15.556, com todos os processos a elas relacionados”, escreveu Fachin.


Disputa entre ministros


A crise teve novo capítulo em 1º de setembro, quando André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que apontaria indícios de contatos entre Vorcaro e Moraes, incluindo pedidos de orientação e troca de informações.


Ministro do STF, André Mendonça. Foto: Adi Spezia\Cimi
Ministro do STF, André Mendonça. Foto: Adi Spezia\Cimi

Dois dias depois, Moraes reagiu e tornou públicos relatórios da inteligência da PF que apontariam supostas condutas irregulares de Mendonça contra ele e outros ministros do Supremo.


Moraes, que até então relatava o Inquérito das Fake News, também havia pedido a inclusão de Mendonça na investigação.


Na quarta-feira (9), Fachin retirou o inquérito da relatoria de Moraes e marcou para terça-feira (15) a análise do caso pelo plenário do STF.


O que o STF vai analisar


Na sessão desta terça-feira, os ministros deverão discutir o relatório da PF produzido a pedido de Mendonça, que aponta uma possível relação entre Moraes e Vorcaro.


Plenário do STF. Foto: Adi Spezia\Cimi
Plenário do STF. Foto: Adi Spezia\Cimi

Fachin, como relator, deverá apresentar uma síntese dos fatos e será o primeiro a votar. Também caberá a ele definir a ordem de análise das questões processuais e do mérito.


Por se tratar de uma situação sem precedente semelhante no Supremo, o rito da sessão ainda será definido pelo presidente da Corte. A previsão é de transmissão pela TV Justiça, com acesso restrito ao plenário.


PF mantém celular de Vorcaro sob custódia


A Polícia Federal informou neste domingo (13) a Fachin que o material original extraído do celular de Daniel Vorcaro permanece sob custódia da instituição.


Presidente da Corte, ministro Fachin. Foto: Adi Spezia\Cimi
Presidente da Corte, ministro Fachin. Foto: Adi Spezia\Cimi

Segundo a PF, os dados estão preservados em uma cadeia de custódia formalmente documentada, com os lacres íntegros e mecanismos de verificação da integridade digital.


A corporação afirmou ter condições técnicas de produzir uma cópia idêntica da extração e encaminhá-la aos gabinetes que solicitaram acesso, observando as determinações do STF e as regras de sigilo.


A PF também esclareceu que o material enviado a Mendonça em março não corresponde ao conteúdo original. Segundo a instituição, o material original jamais deixou sua custódia.

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