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Genoíno: "Não é só votar, temos que fazer uma campanha rebelde"

Liderança histórica do Partido dos Trabalhadores (PT), hoje formador popular, fala sobre desafios do Brasil em busca de soberania e democracia


Por Pedro Carrano


“Tem que discutir a falta das UPAs e a invasão contra o Irã”, adverte Genoíno. Foto: Pedro Carrano
“Tem que discutir a falta das UPAs e a invasão contra o Irã”, adverte Genoíno. Foto: Pedro Carrano

No espaço de formação organizado no dia 18 (sábado), pelo Coletivo Pablo Gonzalez, na região do Sapopemba, em São Paulo (SP), o militante histórico do Partido dos Trabalhadores (PT), José Genoíno, falou para lideranças populares sobre os desafios da militância social nas eleições de 2026 e, sobretudo, neste período histórico.


À pergunta do hoje formador e educador popular sobre se o Brasil “tem destino de ser um país soberano e democrático?”, Genoíno defende que é preciso retomar um estado de mobilização e “rebeldia cívica”, isso porque o capitalismo, na sua atual fase, gera, de acordo como Genoíno, uma ilusão de que:


“não há saída, as pessoas ficam domesticadas, individualistas, desconsideram que não há o que comer em algumas regiões, enquanto se paga para o capital financeiro 1 trilhão de juros com a dívida pública”, critica.

É preciso, de acordo com o ex-combatente da guerrilha do Araguaia nos anos 1970, “ganhar corações e mentes para uma proposta de mudança”.


Isso implica organização coletiva e capacidade de unir as bandeiras e lutas imediatas junto com um projeto estratégico. Por exemplo, no espaço onde acontecia o debate – a chamada "Escola de Cidadania", ocorre a luta pela implementação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA).


“Tem que discutir a falta das UPAs e a invasão contra o Irã”, adverte Genoíno.

Por fim, Genoíno, do alto de seus 80 anos e muita experiência na vida política, parlamentar e, agora, formativa, ainda aponta o risco de a esquerda se institucionalizar no poder, tornando-se aos olhos da população “identificada com o próprio sistema”, o que é o caldo de cultura para o surgimento do fascismo.


No sentido contrário, ele defende que as organizações de esquerda sejam abertas a sonhar com um outro modelo de país:


“Existe muita coisa acontecendo no Brasil, gente querendo construir outro mundo, partidos de esquerda, coletivos. Não é só votar, temos que fazer uma campanha rebelde”, afirma.


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