Horta Comunitária no Tatuquara completa duas décadas e envolve moradores
- Pedro Carrano
- 2 de mar.
- 2 min de leitura
“O objetivo é reduzir a fome do povo a zero”, comenta o integrante da associação
por Pedro Carrano

Todo mundo já viu ou escutou sobre a horta do seu Itacir, no Tatuquara. O que talvez não dê para ter dimensão à primeira vista é a quantidade de histórias e o nível de organização daquele espaço.
“Hoje tem caixa de água, antes não tinha nada. Hoje tem água encanada, dois poços bons, câmera e alarme. Antes era com a água do povo e na base do regador”, mostra e ao mesmo tempo narra, orgulhoso, seu Itacir, ele que é uma das lideranças locais, mas conta com o trabalho de uma equipe com outros moradores, que hoje cultivam 32 hortos.
Ninguém recebe remuneração para isso e o espaço já conta com mais de vinte anos. Instalado abaixo de fios de alta tensão, a iniciativa fez parte de um projeto ligado à Eletrosul no início dos anos 2000.
A horta comunitária é de boa produção, conta com folhagens, bananeiras e mandiocas e garante uma diversidade de cultivos. Nos finais de semana, fornece alimento para 50 famílias locais, da comunidade chamada Santa Cecília. “Aqui não tem nada da prefeitura”, já adverte seu Itacir. Não que ele não queira políticas públicas para o espaço. Pelo contrário. Mas os moradores querem garantir a velha e boa independência e autonomia.
Recentemente, a associação têm se articulado com Itaipu e com a Superintendência do Ministério do Trabalho no Paraná, além de conseguir emendas junto ao mandato de Ângelo Vanhoni (PT). “O objetivo é reduzir a fome do povo a zero”, comenta seu Antônio, um dos integrantes da associação, que formou a roda de conversa que atendeu a reportagem da Vigília Comunica.

Sentido da horta comunitária
No fundo, no fundo, esse lugar onde moradores, nas horas vagas do trabalho, fazem questão de pisar com os pés descalços serve como uma espécie de terapia, tratamento e envolvimento comunitário.
“Eu nunca tinha mexido com a terra”, confessa o trabalhador de uma construtora, Paulo de Luka. A companheira, Cleusa Moreira Peppez possuía problemas no braço e precisava trabalhar com a terra. A horta acabou encaixando bem na vida dos dois, que são dos mais ativos. "Perguntei se tinha um horto pra trabalhar e me deram dez", Cleusa sorri. Seu Itacir destaca ainda a participação das mulheres na organização do local.
Em meio a um fim de tarde de sol, pássaros e muita esperança, seu Itacir acredita que o espaço vai na linha do que é bom para uma família é bom para todas elas. "Sempre foi assim, com muita variedade. Ninguém faz aquilo que não gosta. Cada um tem o seu cadastro, tudo bem 'localizadinho', temos o grupo do pessoal da horta, cada um tem o seu canteiro e faz o que gosta", finaliza.





Comentários