Kelem Rosso: a luta pelo fim da escala 6 x 1 fortalece a classe trabalhadora
- Pedro Carrano
- há 14 horas
- 3 min de leitura
Presidenta do Sindiedutec enxerga avanço na organização dos trabalhadores. Unidade contra o fascismo é primordial para ela
por Pedro Carrano

Kelem Rosso é presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Básica, Técnica e Tecnológica do Estado do Paraná (Sindiedutec), que organiza os servidores técnicos do IFPR, autora também do livro “Trabalhando no Madero: da condição juvenil de seus trabalhadores à trajetória de acumulação de riquezas de uma família”.
A dirigente aponta a importância da bandeira da redução da jornada de trabalho nesse período do combate ao neofascismo, o que deve acontecer com uma Frente Única ligada à defesa de direitos dos trabalhadores.
Militante da organização Iniciativa Comunista, Kelem indica também desafios da atual conjuntura, a partir da pergunta que a reportagem da Vigília Comunica tem feito para dirigentes e elaboradores teóricos sobre qual é a unidade e o programa necessários para derrotar o fascismo nas atuais eleições?
Bandeiras que aglutinam
Para a dirigente sindical, em que pese reconhecer o período de fragmentação e defensiva do último período, a bandeira do fim da escala 6 por 1 teve capacidade para colocar a classe trabalhadora em melhor situação do que no último período.
“A gente pode observar um movimento de mudança que aponta para uma postura mais ofensiva da classe trabalhadora. Para um caminho de unidade e fortalecimento das entidades e organizações de classe”, defende.
Na voz de Kelem, a importância esteve na definição de uma pauta unitária, que pudesse unificar as forças populares em torno dela, a partir de um tema sensível no cotidiano da classe trabalhadora.
“O poder que essa pauta tem para também para unificar os movimentos, desfazer essa dispersão, e superar, pelo menos inicialmente, a fragmentação das suas frentes”, resume.
Pautas e medidas importantes
Para derrotar uma candidatura neofascista como a de Flávio Bolsonaro, Kelem aponta ainda a necessidade de, ao lado da luta pelo fim da escala 6 por 1, a candidatura de Lula defender aumento efetivo da educação pública, da saúde pública e se posiconar de forma contundente diante da situação internacional.
“Precisamos de um governo que se coloque mais claramente em defesa do povo palestino e dos demais latino-americanos que têm sofrido cotidianamente as ofensivas do governo estadunidense, como a Venezuela”, complementa.
Soberania Nacional no concreto
Kelem destaca também a importância do tema da soberania nacional, mas de forma que tenha “um conteúdo alinhado com os anseios do povo brasileiro. Para que de fato isso possa ser efetivado, um ponto fundamental é o financiamento, a prioridade, a garantia de que possa ter Ciência, produção científica e tecnológica no nosso país, de forma autônoma. Isso se dá pelas universidades públicas, pelas instituições públicas brasileiras, que hoje estão minguando por falta de recursos”, critica.
Frente Única
Advoga, por fim, a tática da Frente Única. A presidente sindical é crítica à concepção que acredita que apenas medidas econômicas e institucionais serviriam para a defesa da democracia. Bem como critica as posições que acreditam que o governo petista é o inimigo central.
Nesse sentido, Kelem defende a construção, no marco do pensador italiano Gramsci, da construção de uma frente única que enfrente o fascismo, com unidade a partir das lutas imediatas da classe trabalhadora.
“Participar das demandas da classe trabalhadora sempre disputando a sua direção mas colocando também como fundamental a unidade prática em defesa das demandas populares (...), colocando sempre como inimigo primordial a ser combatido é uma unidade prática no combate, que deve ser uma atuação nas lutas imediatas das classes trabalhadoras sem perder a necessidade urgente primordial de combater o fascismo”, define.




Comentários