Lula reúne multidão em Ceilândia (DF), defende fim da escala 6x1 e critica adversários políticos
Ao lado de Leandro Grass, presidente criticou adversários políticos, mencionou o escândalo do Banco Master e pediu apoio à candidatura petista ao governo do Distrito Federal
por Adi Spezia

Com bandeiras brasileiras, jingles e palavras de ordem, uma multidão tomou as ruas de Ceilândia, maior Região Administrativa do Distrito Federal, sexta-feira (9), durante caminhada eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Acompanhado do candidato petista ao governo do DF, Leandro Grass, Lula defendeu o fim da escala de trabalho 6x1, uma das principais bandeiras do partido.
A mobilização começou nas proximidades da Feira de Ceilândia. “Essa é a passeata que quer reduzir a jornada de trabalho”, declarou o presidente.
A escolha da região para o primeiro ato de rua ocorreu em um cenário eleitoral desfavorável ao petista. Em 2022, Lula foi derrotado por Jair Bolsonaro (PL) em Ceilândia e, no primeiro turno de 2026, perdeu por cerca de 40 mil votos na região.
Durante o ato, Lula afirmou que o "país não voltará a ser governado pelo fascismo, pelos assassinos da pandemia ou pelos sócios de Daniel Vorcaro".
A declaração ocorreu em meio à repercussão de informações sobre contatos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, e Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial. Segundo áudio divulgado em maio pelo Intercept Brasil, Flávio teria negociado US$ 24 milhões com Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, dos quais ao menos US$ 10,6 milhões teriam sido pagos.

Caso Banco Master e BRB repercutem durante caminhada
O escândalo envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) também ganhou destaque. As investigações apuram a compra, pelo BRB, de carteiras de crédito apontadas como falsificadas e provenientes do Banco Master.
Durante a caminhada, Lula afirmou que “esse país não será governado pelo sócio do Banco Master, pelos parentes do Vorcaro”.
Em meio às críticas às gestões do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e da atual governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), Leandro Grass defendeu uma campanha centrada nas condições de vida da população. “Não é mais sobre a esquerda ou a direita, não é mais sobre o PT ou o PL. É sobre o futuro, é sobre a nossa cidade, é sobre termos comida na mesa ou não, termos trabalho, termos vacina, termos saúde, educação”, declarou.
O deputado distrital Chico Vigilante (PT) destacou a importância eleitoral e a diversidade da região. “Ceilândia é o principal colégio eleitoral de Brasília, é uma cidade formada por gente vinda de todo o Brasil, especialmente do Nordeste, e o Lula escolheu fazer a abertura da campanha dele aqui na cidade de Ceilândia porque Ceilândia é uma mistura de Brasil”, afirmou.
Sargentos das Forças Armadas manifestam apoio a Lula
Durante o ato, sargentos dos Quadros Especiais das Forças Armadas manifestaram apoio à reeleição do presidente. Uma faixa trazia a mensagem: “Presidente Lula, os sargentos dos Quadros Especiais das Forças Armadas apoiam a sua reeleição”.
Ao oficializar sua candidatura, Lula já havia defendido maior atenção da esquerda à defesa nacional, afirmando ser necessário “parar com essa bobagem” de tratar o tema como uma preocupação secundária.
Após sua eleição em 2022, Lula escolheu José Múcio para comandar o Ministério da Defesa, em um contexto de tensões institucionais e proximidade de setores militares com o governo de Jair Bolsonaro. Lula e Leandro Grass, ambos do PT. Foto: Ricardo Stuckert Caminhada com Lula, na Ceilândia (DF).





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