Luta pelo fim da escala 6x1 exige atenção para impedir retrocessos, aponta sindicalista
- lazzarimlouize
- 11 de mar.
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Por Luis Lomba
A luta dos trabalhadores brasileiros pelo fim da escala 6x1 exige determinação para vencer e vigilância para manter o que for conquistado, pois os patrões não têm limites quando se trata de violar direitos. O alerta é de Bruno Wunderlich, dirigente do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região Metropolitana. Para ilustrar seu ponto de vista, ele lembra do ocorrido em 2022, quando o Santander anunciou que abriria suas agências aos sábados, sem qualquer negociação com a categoria.

Em janeiro de 2022 o Santander pagou caro por um anúncio no intervalo comercial do Fantástico, para informar a seus clientes que três mil agências estariam abertas no sábado seguinte, como parte de uma campanha de renegociação de dívidas com o banco.
“Permitir que uma ou todas as agências do Santander funcionassem aos sábados, mesmo que para uma campanha específica, abriria um precedente enorme, que poderia ser seguido pelos demais bancos. Uma pequena ação do banco poderia colocar a perder um direito inegociável para toda a categoria, do descanso remunerado aos sábados. Com isso, nós poderíamos estar hoje trabalhando na escala 6x1”, afirma Wunderlich em publicação no site do Sindicato.
Atento às exigências daquele momento, o movimento sindical agiu rapidamente após a medida unilateral dos banqueiros. Vários sindicatos ingressaram com pedidos na Justiça do Trabalho e conseguiram liminares favoráveis aos trabalhadores.
Durante esse período, os banqueiros não cogitaram negociar com os sindicatos em nenhum momento. O banco se limitou a comunicar a representação dos trabalhadores a decisão que já havia sido tomada, sem abrir a possibilidade de negociar para chegar a um acordo. Os bancários não receberiam horas extras pelo trabalho no sábado, que seria compensado com redução da carga horária na semana seguinte.
“Além de convocarem para trabalhar em um sábado, o banco se negou a pagar as horas extras. Para abrir uma agência no sábado, o banco precisa fazer alterações sistêmicas e logísticas complexas e tudo isso foi feito em tempo recorde. Mas quando se trata de beneficiar os funcionários o banco sempre tem enorme dificuldade. Isso só aumentou a indignação dos trabalhadores”, recorda Lucimara Malaquias, que coordenava a Comissão de Organização dos Empregados do Santander em 2022.
Os bancários conquistaram o direito de trabalhar na escala 5x2 em 1962, após greve da categoria. No final daquele ano, foi aprovada uma lei que acabou com o trabalho aos sábados. Desde então houve uma série de ataques a esse direito conquistado.
“Esse histórico nos mostra que todo direito só é conquistado com muita luta. E, mais que isso, ainda é preciso vigilância constante e muita mobilização para que ele seja mantido, ano após ano. No governo Bolsonaro, foram pelo menos três tentativas de revogar uma lei que impede a abertura dos bancos aos sábados, garantindo nosso descanso remunerado nesse dia”, analisa Bruno Wunderlich.
“Em 2026 os bancários terão que renovar todas as mais de 170 cláusulas da sua Convenção Coletiva de Trabalho, o que significa que precisaremos, mais uma vez, lutar para garantir, além da PLR, o direito de não trabalhar aos sábados, por exemplo. Por fim, 2026 é também ano de eleições, quando iremos definir nossa representação no Congresso Nacional e no Executivo. E nós sabemos que as pessoas eleitas definirão, de forma direta, os rumos do nosso trabalho e das nossas vidas”, finaliza Wunderlich.




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