Mobilização reverte fechamento de escolas do campo em General Carneiro
- lazzarimlouize
- 30 de jun.
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por Luis Lomba
A mobilização das comunidades rurais e a articulação com parlamentares, Ministério Público e Judiciário reverteram o fechamento de duas escolas do campo em General Carneiro. As escolas das comunidades Endubra e Colina Verde serão reabertas já no segundo semestre deste ano. “Encaminhamos também a retomada das aulas das comunidades Catequese e de Faxinal dos Santos”, informa o deputado federal Tadeu Veneri (PT).

“O que aconteceu em General Carneiro é uma prova que a organização e a pressão com razoabilidade sempre produzem efeitos. A mobilização dos pais, das mães, das crianças que estavam com esse problema das escolas no campo fechadas, possibilitou esse avanço”, afirma o parlamentar.
A Prefeitura assumiu o compromisso de contratar os professores necessários para reabrir as escolas. Tadeu Veneri acenou com a possibilidade de apresentar emendas orçamentárias para cobrir essas despesas. “Eu me coloquei à disposição do prefeito para fazermos emendas e falei que podíamos trazer R$ 500 mil para o município pagar professores e alguma eventual necessidade de reforma dentro da escola”, explica.
O fechamento das escolas obriga os alunos a se deslocarem às vezes por quatro horas (ida e volta) dentro de uma van, aponta o deputado, que participou de audiência pública sobre o tema na Câmara Municipal de General Carneiro, na semana passada. “O objetivo principal foi atingido: as escolas reabrirem, as crianças não serem mais penalizadas e a região toda poder se desenvolver”, avalia.
Como a Vigília publicou em maio deste ano
https://www.vigiliacomunica.com/post/agricultores-lutam-para-reverter-fechamento-de-escola-rural, o colégio municipal Pedro II foi fechado de forma autoritária, sem diálogo com a comunidade. “O fechamento da nossa escola foi marcado pela falta de transparência, fomos avisados de uma reunião em cima da hora, que foi antecipada sem justificativa, o que impediu a participação dos pais”, lembra Heloísa Freitas, acadêmica de Pedagogia, ex-aluna do colégio, que atende a Comunidade Faxinal dos Santos e o acampamento Vitória do Contestado.
“Para todos nós a escola é muito importante. Ela não é apenas um prédio, é o coração da nossa comunidade. É um espaço de convivência, de integração e de identidade”, afirma Heloísa. “Nós nos mobilizamos, fizemos abaixo-assinado e buscamos o Ministério Público, porque entendemos que fechar as escolas é desmantelar a vida no campo”, completa.
A dificuldade de abrir diálogo com a administração municipal levou as comunidades prejudicadas a buscar apoios para reverter a situação. “Reunimos todas as outras comunidades que enfrentavam o mesmo problema. Recebemos apoio do deputado federal Tadeu Veneri (PT) e da deputada estadual Luciana Rafagnin (PT), do vereador Alcemir (PT), da Telma Novakoski do Pronacampo, do juiz Carlos Mattioli e do promotor Júlio Ribeiro Campos Neto. Juntos, marcamos uma audiência pública, onde nossos argumentos e nossas provas prevaleceram contra os argumentos da gestão atual e da injustiça que haviam feito ao fechar as nossas escolas”, relata.
A luta foi vitoriosa e foi fechado um acordo com a Prefeitura para reabrir duas das escolas fechadas até agosto. “Para nós vale muito a pena resistir, porque não estamos lutando contra o prefeito ou contra a secretária. Estamos lutando para defender o direito das nossas crianças, porque para nós elas não são apenas números em uma planilha, elas são o futuro da nossa geração e é digno que seus direitos sejam assegurados”, avalia Heloísa.
As escolas do campo são essenciais também por fortalecerem a agricultura familiar, aponta Heloísa. “As famílias do Faxinal e do acampamento Vitória do Contestado vivem do campo. Como seria se o pessoal de lá precisasse ir morar na cidade para que as crianças tenham acesso à educação? Eles iriam viver do quê, se a vida dele está lá no campo? Precisamos fazer as pessoas entenderem que quando uma escola fecha, é uma comunidade que se desmancha”, observa.
A educação no campo tem sofrido ataques sucessivos no governo Ratinho Jr. Nota pública divulgada pelo Fórum Nacional da Educação no Campo (Fonec) aponta que no Paraná, apenas em 2024, foram fechadas 45 escolas e 121 estão
paralisadas. Segundo a Nota, atualmente há oito escolas do campo no Paraná ameaçadas de fechamento: Escola Rural Ensino Fundamental Raios do Saber, em Diamante do Sul; Escola Estadual do Campo Iolópolis , em São Jorge D'Oeste; Escola Estadual do Campo Albino de Proença, em São Jerônimo da Serra; Escola Estadual do Campo Manoel Gonçalves, em Tomazina; Escola Estadual do Campo Vila União, em Rosário do
Ivaí; Escola Estadual do Campo Conceição Linhares de Almeida, em Mangueirinha; Escola Estadual do Campo Palmital do 43, em Roncador; e Escola Estadual do Campo de Ivaitinga, em Nova Esperança.




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