Vereadores de Curitiba aprovam projeto que possibilita militarizar escolas
- Vigília Comunica

- há 6 dias
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por Luis Lomba
A Câmara de Vereadores de Curitiba aprovou na tarde desta terça-feira (16) em primeira votação projeto de lei que abre as portas para a militarização de escolas municipais - 23 vereadores votaram a favor e 8 contra a proposta. A segunda votação deve ocorrer na quarta-feira (17) e a terceira e definitiva, na próxima semana. Depois disso o projeto será encaminhado para sanção do prefeito Eduardo Pimentel (PSD). “Vamos manter a mobilização e judicializar a questão se a lei for sancionada pelo prefeito”, adianta Diana Abreu, presidenta do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac).

O projeto de lei autoriza a Prefeitura a fazer convênios com forças de segurança pública para colocar policiais aposentados trabalhando nas escolas. A proposta é questionada pelos servidores municipais em geral, não só os da educação. Vários sindicatos de servidores se manifestaram na Câmara antes da votação. Rejane Soldani, presidenta do Sindicato dos Servidores da Guarda Municipal estava lá. “Somos contrários a esse projeto. Já atuamos nas escolas com o programa Guarda Municipal Mirim, de forma voluntária. Esse projeto é um tapa na cara dos guardas municipais que trabalham voluntariamente há mais de 20 anos, sem receber um real a mais por isso”, afirma.

Rejane avalia que o projeto não foi debatido suficientemente e cria gastos desnecessários. “Isso abre as portas dos cofres do município para que seja estabelecido o convênio com a secretaria de segurança para pagar R$ 5,5 mil por mês para policial que já está aposentado. É um absurdo, gente. Estão de olho, na verdade, é no dinheiro do município ", diz.
O texto aprovado é uma afronta à gestão democrática das escolas públicas, analisa a vereadora Vanda de Assis (PT), uma das que votou contra a proposta. “Isso só vai intensificar os problemas nas escolas, com militares aposentados que vão receber sem trabalhar, pois quem vai continuar atendendo às crianças são os poucos profissionais que já estão lá”, afirma. “Nossas crianças não são criminosas”, completa.
O projeto possibilita a militarização de 11 escolas municipais que têm turmas do ensino fundamental 2, do sexto ao nono ano. “A gente vai seguir disputando essa pauta, mostrando à população que a solução para a educação é investimento, que quem deve estar na escola é professor e que a extrema direita te engana quando vem com soluções simples para problemas complexos”, afirma Diana Abreu. “A escola é um espaço cheio de complexidades, porque lá nós temos seres humanos diversos, que merecem educação com acolhimento, com amor, merecem educação com qualidade”, acrescenta.




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