Moradores de Rio Bonito do Iguaçu não receberam benefícios prometidos
- Vigília Comunica

- 18 de mar.
- 3 min de leitura

por Luis Lomba, texto, e Joka Madruga, fotos
Quatro meses depois da destruição de Rio Bonito do Iguaçu pelo tornado em 7 de novembro de 2025, parte dos atingidos ainda luta para ter acesso aos benefícios anunciados pelo governo estadual no ano passado. Muitas famílias ainda não receberam integralmente os valores do cartão-reconstrução, fundamental para voltarem a ter uma moradia.
Uma das moradoras do Rio Bonito que não recebeu o valor do cartão integralmente é Nilce Paixão Militez. Ela conta que foi informada de que receberia R$ 20 mil. Seriam R$ 16 mil para comprar materiais de construção e R$ 4 mil para pagar a mão de obra - esse valor seria sacado no caixa mediante apresentação do cartão. Só que Nilce nunca viu a cor desse dinheiro.

“Resumindo: passaram quatro meses e o valor que seria para sacar no banco não veio. Estou devendo para o rapaz que ajudou meu marido a reconstruir telhado, forro, muro... A gente está passando vergonha pois está em dívida com o rapaz, que também foi flagelado, também teve a casa destruída”, relata Nilce.
Após o tornado o governo estadual informou que 1.370 casas foram destruídas. As pessoas comentam em Rio Bonito que faltaria distribuir 500 cartões, mas no início de março a prefeitura divulgou informalmente que as entregas de cartões foram encerradas. “Portanto, gostaria de saber o andamento do processo de liberação desses recursos, visto que a demora na liberação desses recursos está afetando diretamente as famílias que já foram severamente atingidas pelo desastre”, diz Nilce.

Outra dificuldade apontada por Nilce é acessar o auxílio-gás. “A gente sabe que é um programa federal, que, o nome já diz, é gás para todos. E até agora a gente não teve acesso, pois tem uma grande burocracia na prefeitura. Eles fazem um cadastro e temos que esperar eles avisarem o dia que eles podem atender”, diz ela. “Então eu queria que o gás seja para todos, de verdade, não assim, fazem uma listagem, alguns recebem e outros não recebem. Se o gás é para todos, eu quero acreditar que eu me incluo, que a vizinha minha se inclui”, completa.
Nilce suspeita que, na entrega de doações, alguns moradores são atendidos em detrimento de outros. “Eles escolhem para quem querem dar. Acho que estão beneficiando alguém e prejudicando quem precisa realmente. Eles estão beneficiando os seus e não devia ter seus, nem meus, devia ter todos”, afirma. Segundo ela, é assim desde os primeiros dias após o tornado. “Quando fui na prefeitura pedir telha, disseram que não tinha e que era para esperar em casa que um caminhão viria entregar. As telhas nunca apareceram”, conta
As situações relatadas por Nilce são confirmadas por Kelly Simão da Silva. “É gente sem móvel e outros com mais de um móvel. Minha mãe está sem máquina de lavar. Já vieram duas doações de uma indústria e ela está lavando as roupas na mão. E olha que ela quebrou o braço no dia do tornado”, afirma. “Está tendo muita injustiça no Rio Bonito. O cadastro na prefeitura não deu certo”, diz. Ela está sem móveis até hoje e guarda as roupas da família em sacos plásticos.
Kelly está preocupada com a redução dos auxílios, como as cestas básicas, que só encolhem mês a mês. “A qualidade da cesta básica caiu muito. No começo vinha cesta boa. Agora vem dois quilos de arroz, feijão, não vem mais óleo, nem café, açúcar, leite também não vem mais, nem produtos de limpeza. Tá vindo minúscula e agora é a cada 30 dias, antes era quinzenal”, conta.
Ela teme que prevaleça a ideia de que tudo está resolvido em Rio Bonito e que os moradores não precisam mais de ajuda. “Não é possível uma cidade se reerguer em tão pouco tempo. Se você vê os vídeos na internet, não é a realidade que nós estamos vivendo”, observa Kelly.





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