Moro não conhece os parnanguaras e despreza os povos indígenas do Paraná
- lazzarimlouize
- 30 de jun.
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por José Pires
No último dia 23/06, o senador e pré-candidato ao Governo do Paraná, Sergio Moro (PL), protagonizou uma situação vergonhosa durante agenda em Paranaguá, no Litoral do Estado. Em entrevista, ele confundiu o termo "parnanguara", utilizado para identificar os moradores da cidade, com uma população indígena da região.
O episódio ocorreu quando foi questionado sobre sua visão em relação ao Porto de Paranaguá e aos "parnanguaras". Sem compreender o significado da palavra, Moro questionou se a referência era à população indígena do município.

Após a confirmação equivocada, o *senador* respondeu como se a pergunta tratasse de povos indígenas.
"Tem que preservar os direitos da população indígena. Mas preservar esses direitos não deve ser um empecilho também ao crescimento econômico. O porto precisa ser ampliado e a gente precisa criar outros portos também aqui no Paraná", afirmou.
O episódio não mostra apenas um desconhecimento do gentílico da cidade mais antiga do Paraná, mas também uma ignorância sobre os povos indígenas do nosso Estado.
Não há no Paraná nenhuma etnia cuja grafia ou paronímia, que é quando duas palavras têm sons parecidos e são confundidas, que possa ser confundida com “parnanguara”. Os indígenas do nosso Estado pertencem às nações Guarani (divididos em subgrupos como Guarani Mbya, Guarani Ñandeva e Kaiowá), Kaingang, Xetás e poucos de outras etnias como Xokleng e Tucano.
Além de ignorar os indígenas do Paraná, Sérgio Moro também despreza suas lutas. É possível perceber na resposta que deu no mesmo episódio quando disse que “tem que preservar os direitos da população indígena. Mas preservar esses direitos não deve ser um empecilho também ao crescimento econômico”.
O discurso é típico da classe política que há anos atropela indígenas e meio ambiente na intenção de atender aos interesses do agronegócio. Moro, aliás, tem um longo histórico de atuação contra os povos indígenas.
Desde sua passagem pelo Ministério da Justiça até sua atuação no Senado Federal, Moro esteve envolvido em diferentes episódios que suscitaram críticas de organizações indígenas e entidades de defesa dos direitos dos povos originários.
Em 2020, quando ocupava o cargo de ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro, Moro determinou a devolução de 17 processos de demarcação de terras indígenas, interrompendo a tramitação dos procedimentos. A medida foi alvo de críticas da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e de outras organizações indigenistas, que apontaram que a decisão desconsiderava pareceres técnicos e decisões anteriores favoráveis a territórios já reconhecidos, entre eles a Terra Indígena Tupinambá de Olivença, na Bahia.
Já como senador, Moro votou, em 2023, a favor do Projeto de Lei 2.903/2023, conhecido como PL do Marco Temporal. A proposta estabelece que somente poderiam ser demarcadas as terras ocupadas por povos indígenas na data da promulgação da Constituição Federal, em 5 de outubro de 1988. O parlamentar também votou posteriormente pela derrubada do veto presidencial a trechos da matéria.
Em 2025, Moro voltou a se posicionar sobre o tema ao atuar como relator, no Senado, do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 717/2024. A proposta buscava sustar os decretos presidenciais que homologaram as Terras Indígenas Toldo Imbu e Morro dos Cavalos, ambas localizadas em Santa Catarina.
No mesmo ano, o senador também manifestou apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Marco Temporal. Moro celebrou a aprovação da medida pelo Senado Federal, ocorrida às vésperas de o Supremo Tribunal Federal (STF) analisar o mérito da questão, considerada uma das principais disputas jurídicas envolvendo os direitos territoriais dos povos indígenas no país.
Moro mostra que, além de desconhecer gentílicos das cidades paranaenses, está totalmente alinhada a setores empresariais que pretendem manter o monopólio das terras do Estado desprezando os povos indígenas e o meio ambiente.




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