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MST celebra conquista da terra após 30 anos de luta no Paraná

por Luis Lomba


“Depois de 30 anos, está formado o maior complexo de assentamentos da reforma agrária do Brasil, aqui nessa região de Rio Bonito do Iguaçu. São 1.909 famílias que são assentadas, mais as 1.100 famílias que vão ser regularizadas, que se somam às 600 famílias que já haviam sido assentadas e mais de 1.500 famílias regularizadas no Paraná nos mandatos anteriores do presidente Lula. A gente está avançando firme na reforma agrária aqui no Paraná”. A afirmação da ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiavelli, empolgou os agricultores que participaram da Festa da Vitória nesta sexta-feira (3) no Assentamento Herdeiros da Terra de 1° Maio, em Rio Bonito do Iguaçu.


Foto: Leandro Taques
Foto: Leandro Taques

As vitórias celebradas pelos trabalhadores rurais

são a regularização de três acampamentos pelo governo do presidente Lula, beneficiando mais de 2 mil famílias camponesas que vivem nas comunidades Dom Tomás Balduíno, em Quedas do Iguaçu; Palestina Livre, em Quedas do Iguaçu e Espigão Alto do Iguaçu; além da Herdeiros da Terra de Primeiro de Maio. Cerca de 34 mil hectares de terra que foram griladas pela madeireira Araupel se tornam oficialmente áreas de reforma agrária.


A ministra do Desenvolvimento Agrário lembrou que há 30 anos famílias marcharam, ocuparam essas terras, resistiram às violências contra elas e hoje produzem alimentos de excelente qualidade. “É essa relação de produção com respeito ao meio ambiente e a biodiversidade, cuidando dos seres naturais, que faz a reforma agrária ser um projeto popular, um projeto apoiado pelo nosso presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, disse


A ministra ressaltou o avanço de destinar para a reforma agrária uma área de monocultura grilada por uma grande empresa. “Essa terra vai para a agricultura familiar, vai para a produção diversificada. Isso é o resultado da luta dos trabalhadores rurais contra o latifúndio. É a vitória social da terra, das pessoas sobre a grilagem e sobre a monocultura. É o nosso direito constitucional sendo concretizado. A reforma agrária está na nossa Constituição. A terra tem que cumprir sua função social. E são vocês que estão garantindo que essa função seja cumprida”, disse aos trabalhadores rurais.


Fernanda Machiavelli afirmou que, além da terra, os agricultores receberão apoio para desenvolverem a produção. “São R$ 20 milhões que estão destinados ao desenvolvimento dessa região. São mais de 195 casas que vão ser construídas. E um fomento de R$ 8 mil a R$16 mil para incentivar a produção. E tem também o crédito de instalação e o Pronaf, que todos vocês vão poder acessar, de R$ 50 mil, para incentivar a mecanização, o trator, a colheitadeira, os implementos que são necessários para que vocês avancem cada vez mais*, anunciou.


Roberto Baggio, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), lembrou que o dia de festa no Herdeiros da Terra é resultado de 30 anos de luta pela terra. “É uma sexta-feira especial para todos nós que estamos aqui, com a memória dessa luta. E nós podemos dizer com muita alegria, com muito orgulho, que essa conquista de hoje não é só nossa, não é só do MST, somente foi possível porque todos que estão aqui se somaram e ajudaram a buscar essa solução”, disse, referindo-se parlamentares e autoridades presentes.


“O que estamos celebrando hoje é algo extraordinário e tem milhares de mãos que ajudaram a resolver. Essa conquista é coletiva. E a melhor forma de mostrar isso é a que as famílias fizeram, organizar uma grande festa, um dia inteiro de festa, para celebrar na plenitude essa grande conquista”, disse Baggio. “Foram 30 anos de esperançar. O que estamos celebrando hoje é 30 anos de esperançar, que é ter a ideia do que a gente quer com clareza e com firmeza, e todo dia, de manhã, de tarde, de noite, se renovar, se compromissar em fazer alguma coisa”, discursou Baggio.


A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) parabenizou os agricultores pelo empenho na luta que demorou 30 anos para ser vitoriosa. “Parabéns pela resistência, parabéns pela luta para construir esse que hoje é o maior complexo da reforma agrária da América Latina. São mais de 5.500 famílias que vivem nessa região do Paraná. As famílias vão sair daqui com o título da terra e tendo acesso a políticas públicas, a financiamento, tendo acesso a uma série de ações do governo federal”, disse.


Histórico - Em 17 de abril de 1996 o MST ocupou a fazenda da madeireira Araupel. Na madrugada daquele dia, mais de 3.300 famílias Sem Terra, equivalente a 15 mil homens, mulheres e crianças marcharam pela rodovia BR-158 durante 3 horas, vindos de Laranjeiras do Sul, e também com caminhões e carros que partiram de Saudade do Iguaçu.

Em agosto de 2017 o Tribunal Regional Federal da 4ª Região declarou nulos os títulos de propriedade da Araupel, confirmando a prática de grilagem. A determinação resultou de uma ação judicial movida pelo Incra, em 2014.


A região se tornou o maior complexo da reforma agrária da América Latina. São mais de 5.500 famílias em 24 comunidades da Reforma Agrária, entre acampamentos e assentamentos, em áreas da antiga Araupel, nos municípios de Rio Bonito do Iguaçu, Laranjeiras do Sul, Nova Laranjeiras, Porto Barreiro, Espigão Alto e Quedas do Iguaçu.

 
 
 

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