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No dia do catador e da catadora, uma história de resistência

42 carrinheiros do Moradias Iguaçu 3 resistem pelo local de trabalho e separação de materiais


Por Pedro Carrano


Carrinheiros do bairro Ganchinho agora sonham com um barracão para o próprio projeto. Foto: Pedro Carrano
Carrinheiros do bairro Ganchinho agora sonham com um barracão para o próprio projeto. Foto: Pedro Carrano

- "O jornalista (televisivo) chamou aqui de lixão, e não de barracão de recicláveis, o que humilha muito a gente", reclama Cristina.


Ela nos recebe, com muita abertura e uma prosa boa, para visitar novamente o terreno onde 42 carrinheiros e carrinheiras ganharam repercussão na mídia por defender o direito a seguir trabalhando na frente da Moradias Iguaçu 3, onde a maioria vive e precisava de um local de trabalho, cedido pela Prefeitura de Curitiba, de forma frágil, há pelo menos uns quatorze anos.


Movimento Nacional de Carrinheiros, FORT, mandatos parlamentares do PT, entre outros, estão contribuindo na resistência. Foto: Pedro Carrano
Movimento Nacional de Carrinheiros, FORT, mandatos parlamentares do PT, entre outros, estão contribuindo na resistência. Foto: Pedro Carrano

Antes, vieram do Boqueirão. Agora, relatam que houve pressão policial e ameaça de despejo do lugar onde estão seus pertences, quiosques e materiais de trabalho. Em meio à pressão para a retirada do local, sob alegação de sujeira e acúmulo de lixo, os trabalhadores contaram com apoio de organizações e mandatos parlamentares - caso de Giorgia Prates e Vanda de Assis, ambas do PT.


Na base da resistência e da repercussão, conseguiram o direito de se manter. Agora os trabalhadores têm seis meses para organizar e planejar o futuro, que chega rápido.


- “Mas tem que ser o nosso projeto”, afirma Larissa, trabalhadora local que, como ela reforça, passou a se politizar e se movimentar nesse processo de resistência.


Agora as famílias de carrinheiros de Moradias Iguaçu esperam a vinda de caminhões e caçambas para retirada do lixo sem uso. Foto: Pedro Carrano
Agora as famílias de carrinheiros de Moradias Iguaçu esperam a vinda de caminhões e caçambas para retirada do lixo sem uso. Foto: Pedro Carrano

Larissa e Cristina encaminham as providências para montagem de uma associação de moradores, da qual Larissa já é aclamada vice-presidente. Mais do que apenas ficar por ali, que é a exigência principal, as famílias querem montar uma associação de carrinheiros e exigir da Prefeitura a construção do espaço de um barracão para trabalhar os materiais, o chamado Ecocidadão. Querem ficar, mas podem sair se for mediante a apresentação de um projeto.


No plano imediato, no combinado com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, agora as famílias de carrinheiros da Moradias Iguaçu esperam a vinda de caminhões e caçambas para retirada do lixo sem uso.


O que a reportagem da Vigília Comunica pôde averiguar foi que o local está organizado, cada espaço de família e com bastante área limpa.


"- Aqui não é lixão, aqui a gente trabalha com reciclagem", Larissa faz questão de reforçar.


Larissa (esquerda) e Cristina (direita): processo de envolvimento e politização em poucos dias de luta. Foto: Pedro Carrano
Larissa (esquerda) e Cristina (direita): processo de envolvimento e politização em poucos dias de luta. Foto: Pedro Carrano

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