No dia do catador e da catadora, uma história de resistência
- Pedro Carrano
- 1 de jun.
- 2 min de leitura
42 carrinheiros do Moradias Iguaçu 3 resistem pelo local de trabalho e separação de materiais
Por Pedro Carrano

- "O jornalista (televisivo) chamou aqui de lixão, e não de barracão de recicláveis, o que humilha muito a gente", reclama Cristina.
Ela nos recebe, com muita abertura e uma prosa boa, para visitar novamente o terreno onde 42 carrinheiros e carrinheiras ganharam repercussão na mídia por defender o direito a seguir trabalhando na frente da Moradias Iguaçu 3, onde a maioria vive e precisava de um local de trabalho, cedido pela Prefeitura de Curitiba, de forma frágil, há pelo menos uns quatorze anos.

Antes, vieram do Boqueirão. Agora, relatam que houve pressão policial e ameaça de despejo do lugar onde estão seus pertences, quiosques e materiais de trabalho. Em meio à pressão para a retirada do local, sob alegação de sujeira e acúmulo de lixo, os trabalhadores contaram com apoio de organizações e mandatos parlamentares - caso de Giorgia Prates e Vanda de Assis, ambas do PT.
Na base da resistência e da repercussão, conseguiram o direito de se manter. Agora os trabalhadores têm seis meses para organizar e planejar o futuro, que chega rápido.
- “Mas tem que ser o nosso projeto”, afirma Larissa, trabalhadora local que, como ela reforça, passou a se politizar e se movimentar nesse processo de resistência.

Larissa e Cristina encaminham as providências para montagem de uma associação de moradores, da qual Larissa já é aclamada vice-presidente. Mais do que apenas ficar por ali, que é a exigência principal, as famílias querem montar uma associação de carrinheiros e exigir da Prefeitura a construção do espaço de um barracão para trabalhar os materiais, o chamado Ecocidadão. Querem ficar, mas podem sair se for mediante a apresentação de um projeto.
No plano imediato, no combinado com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, agora as famílias de carrinheiros da Moradias Iguaçu esperam a vinda de caminhões e caçambas para retirada do lixo sem uso.
O que a reportagem da Vigília Comunica pôde averiguar foi que o local está organizado, cada espaço de família e com bastante área limpa.
"- Aqui não é lixão, aqui a gente trabalha com reciclagem", Larissa faz questão de reforçar.





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