O mensageiro das nuvens incertas
- Vigília Comunica

- 14 de mai.
- 2 min de leitura
Dia do Metereologista
por Lea Oksenberg
Neste 14 de maio, o parabéns ao meteorologista vem acompanhado de uma ponta de solidariedade. Se a natureza anda com os nervos à flor da pele, eles são os primeiros a sentir o pulso dessa febre do planeta. Não deve ser fácil equilibrar a exatidão dos cálculos com a imprecisão de um clima que decidiu rasgar o calendário e improvisar um jazz sobre as nossas cabeças.

Antigamente, a meteorologia tinha um ar de serviço de utilidade pública quase gentil: era o conselho para levar o guarda-chuva ou o aval para o churrasco de domingo. Hoje, a profissão ganhou outros contornos, talvez até de vigília. O meteorologista virou o tradutor oficial de uma natureza que perdeu o juízo. Ele olha para as telas e vê recordes de calor onde deveria haver brisa, e frentes frias que avançam com uma urgência que nenhuma memória histórica foi capaz de prever.
É uma missão de paciência e coragem. Afinal, como é que se explica o inexplicável? Como manter o profissionalismo se o meteorologista de hoje é quem tenta decifrar um diário escrito em meio a uma tempestade? Ele busca lógica neste turbilhão, mas o autor — o mundo — parece não querer mais seguir o roteiro original.
Talvez o que nos reste, além de checar a previsão, seja reconhecer que esses profissionais são os guardiões do nosso tempo. Eles nos avisam que o céu mudou de tom para que a gente não perca a capacidade de ler os sinais, creio eu.
Que o dia deles tenha, se não o sol garantido, ao menos o reconhecimento de quem sabe que interpretar o tempo, hoje em dia, é uma das tarefas mais árduas que existem. No fundo, o meteorologista é aquele que nos dá a mão para atravessar o vendaval. E que hoje, entre uma frente fria e um recorde de calor, eles consigam apenas o privilégio de olhar para o céu e ver, simplesmente, um dia bonito.
Porque, lá fora, o mundo segue o seu ritmo próprio e insistente:
Chove chuva
Chove sem parar
Chove chuva
Jorge Benjor




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