top of page

O mercado financeiro e a pressão contra Lula no segundo turno

há 2 dias
4 min de leitura

Atualizado: há 20 horas

Segmentos do rentismo e da mídia liberal apoiam o programa de Flávio Bolsonaro e ao mesmo tempo tentam enquadrar uma possível vitória de Lula


por Pedro Carrano



O rentismo, o capital portador de juros, as ferramentas dos setores financeirizados e ligados com os segmentos internacionais das finanças tem apostado contra uma vitória de Lula, ou então, desde já buscam impor o seu programa no caso de uma vitória do atual presidente.

Vendo a ascensão de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, ao mesmo tempo temerosos com a recuperação de Lula e chance de um quarto governo, já fazem uma série de movimentações, que revelam o seu programa para o Brasil. Atualmente, o mercado financeiro está apostando pela queda do dólar e valorização do real, vinculando essa movimentação a uma eventual vitória de Flávio.


A economista Juliane Furno, do canal “Economia com Ju Furno”, concorda que a mídia empresarial tem repetido o mantra de “ajuste fiscal”, “risco da dívida pública”, entre outros pontos que fortalecem o programa de Flávio Bolsonaro e buscam enquadrar Lula caso o atual presidente seja eleito.


“Bradam constantemente que o problema do Brasil é fiscal, e ele é responsável por todos os outros, tais como os juros elevados. Inclusive, em 2022, Lula se elegeu sob uma frente bem ampla, mas em que pese tivesse concordância nos aspectos democráticos do risco Bolsonaro, sempre foram muito heterogêneos no tema econômico. O ajuste fiscal, a redução da presença do Estado e o livre mercado são propostas que unem a grande imprensa à candidatura de Flávio Bolsonaro”, aponta a economista.

Taxa de juros e a falsa bandeira


Hoje, por exemplo, a taxa de juros Selic está em 13,75%, segundo a decisão do Copom de setembro de 2026, considerada a mais alta em ano eleitoral desde 2006. Esse patamar é elevado para um processo de retomada de crédito como em gestões anteriores do PT.


Porém, a extrema-direita tem usado essa bandeira da alta taxa de juros para atacar o governo Lula, mas fica a pergunta sobre quais frações de classe estão dispostas a realmente reduzir a taxa de juros.


Há uma disputa da orientação dos gastos públicos, afirma o economista Venâncio de Oliveira. Foto: Eduardo Matisyak.
Há uma disputa da orientação dos gastos públicos, afirma o economista Venâncio de Oliveira. Foto: Eduardo Matisyak.

Povo trabalhador


No que se refere aos trabalhadores, os segmentos liberais da mídia criticam o Benefício de Prestação Continuada (BPC) vinculado às correções do salário mínimo. "Isso, segundo especialistas, é um desincentivo para trabalhadores dessa faixa de renda contribuírem com a previdência”, aponta o jornal Valor Econômico, do dia 13 de outubro deste ano.


Além disso, o famigerado tesouraço de R$ 250 bilhões, ou 2% do PIB, sinalizado por Flávio Bolsonaro, gera preocupações nos trabalhadores, fazendo com que a campanha de Bolsonaro tenha que explicar que não haveria, em tese, cortes orçamentários nos programas sociais.


“Risco fiscal”


Depois da entrevista de Lula para a jornalista Renata Lo Prete, da Globo, no dia 15 de outubro, sites de economia batem no tema no que consideram um “risco fiscal”, uma vez que Lula reafirmou seu compromisso com o investimento para gerar renda e, dessa maneira, aumentar a arrecadação.


Sites como o Infomoney, no entanto, ligados ao capital financeiro, apontam:


“Na avaliação do especialista, o cenário eleitoral e a responsabilidade fiscal estão entre os elementos mais observados pelos investidores internacionais. Embora a reação inicial do mercado tenha sido positiva, a proximidade do segundo turno mantém a possibilidade de mudanças nas expectativas"


O economista Venâncio de Oliveira, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), por sua vez, concorda com a orientação geral de Lula para a economia em relação sobretudo ao pagamento da dívida a partir do foco no aquecimento da atividade econômica:


"Há uma disputa da orientação dos gastos públicos. Você pode aumentar a dívida, aumentar os gastos públicos, gerar crescimento econômico, você vai aumentar as receitas, porque nós temos soberania monetária. Mas a mídia orienta o aumento do gasto público não em relação aos gastos sociais, mas para fortalecer a especulação financeira", reflete o economista.

Risco de cortes


O governo tem uma meta de resultado primário, enquanto as despesas obrigatórias ocupam mais de 90% do orçamento primário. Se a arrecadação frustrar as expectativas ou se houver pressão por um resultado fiscal mais elevado, o espaço para ajuste nas despesas discricionárias é pequeno.


Isso aumenta a pressão sobre investimentos e políticas públicas e, caso se busque um ajuste estrutural maior, coloca novamente na agenda mudanças nas despesas obrigatórias — especialmente Previdência, BPC, pessoal e regras de vinculação de gastos.


Passadas as eleições, o debate sobre o Orçamento da União de 2027 deve recolocar no centro da disputa a pressão por um forte ajuste fiscal.


Portanto, tudo indica que haverá forte disputa pelo Orçamento de 2027 - entre o campo favorável às finanças e as organizações e partidos preocupados com o bem estar da população - e quanto do orçamento continuará destinado às políticas sociais em vez do serviço da dívida.


Num orçamento em que mais de 90% das despesas primárias são obrigatórias, um novo ajuste fiscal tende a pressionar justamente o espaço destinado a investimentos e políticas públicas.


Saúde, Educação, Universidades, Ciência e outras áreas podem sofrer com contingenciamentos, enquanto a disputa sobre Previdência e demais despesas obrigatórias tende a ganhar força.


Como afirma reportagem do Valor Econômico (13 de outubro), segmentos do setor financeiro querem uma reforma estrutural na Previdência.


É esse programa e esses compromissos que o setor financeiro encontra em Flávio Bolsonaro e busca, neste momento, criticar na candidatura de Lula. Ao mesmo tempo, pressionando-a em busca de compromissos.


Esses são, portanto, os focos de pressão do mercado e da imprensa econômica sobre o atual debate.


Furno afirma que mídia empresarial combate fortalecimento do Estado proposto por Lula. Foto: Agência Brasil
Furno afirma que mídia empresarial combate fortalecimento do Estado proposto por Lula. Foto: Agência Brasil

Comentários


bottom of page