O pregão da sucessão
- lazzarimlouize
- 25 de mar.
- 1 min de leitura
Quando a política vira balcão
Por Lea Oksenberg
No Paraná, a sucessão estadual não é projeto, é transação. A movimentação de Ratinho Jr. para consolidar Eduardo Pimentel não busca continuidade administrativa, mas a garantia de que o controle do dinheiro público permaneça no mesmo domínio. É o uso da máquina para blindar o quinhão do grupo.

Nesse pregão, a candidatura é moeda de troca. O atropelo para fazer do atual prefeito de Curitiba o fiador do futuro reflete a pressa em dividir o espólio antes que o jogo mude.
Enquanto isso, a ninguenzada — essa massa de brasileiros invisibilizados, tratados como meros figurantes do próprio destino — consome as sobras mastigadas pelos telejornais, sem perceber que sua vida é decidida em salas fechadas.
O discurso oficial vende "modernidade", mas os bastidores revelam o velho loteamento de espaços. É a sobrevivência dos privilégios valendo mais que qualquer plano real para as ruas.
Enquanto o comércio de influências ferve, o cidadão comum olha a vitrine proibitiva: sabe que algo caro está sendo negociado, mas entende que não foi convidado para a conversa.
O objetivo no topo é um só: não sair no prejuízo. Pimentel é a aposta para que o caixa político de 2026 continue batendo, custe o que custar à atenção — e ao bolso — da ninguenzada.
Bico calado
Toma cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí
(Chico Buarque e Francis Hime)




Comentários