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O pregão da sucessão

Quando a política vira balcão


Por Lea Oksenberg


No Paraná, a sucessão estadual não é projeto, é transação. A movimentação de Ratinho Jr. para consolidar Eduardo Pimentel não busca continuidade administrativa, mas a garantia de que o controle do dinheiro público permaneça no mesmo domínio. É o uso da máquina para blindar o quinhão do grupo.


Foto: Freepik.
Foto: Freepik.

Nesse pregão, a candidatura é moeda de troca. O atropelo para fazer do atual prefeito de Curitiba o fiador do futuro reflete a pressa em dividir o espólio antes que o jogo mude.


Enquanto isso, a ninguenzada — essa massa de brasileiros invisibilizados, tratados como meros figurantes do próprio destino — consome as sobras mastigadas pelos telejornais, sem perceber que sua vida é decidida em salas fechadas.


O discurso oficial vende "modernidade", mas os bastidores revelam o velho loteamento de espaços. É a sobrevivência dos privilégios valendo mais que qualquer plano real para as ruas.


Enquanto o comércio de influências ferve, o cidadão comum olha a vitrine proibitiva: sabe que algo caro está sendo negociado, mas entende que não foi convidado para a conversa.


O objetivo no topo é um só: não sair no prejuízo. Pimentel é a aposta para que o caixa político de 2026 continue batendo, custe o que custar à atenção — e ao bolso — da ninguenzada.


Bico calado

Toma cuidado

Que o homem vem aí

O homem vem aí

O homem vem aí

(Chico Buarque e Francis Hime)

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