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O abraço que cabe em todas as casas

por Lea Oksenberg


Dizem que o calendário reserva este domingo para comemorar o Dia dos Pais. Mas, se a gente olhar bem de perto — longe das vitrines e dos comerciais de TV —, percebe logo que a paternidade não tem uma forma só. Não cabe em moldura pronta. Paternidade é treino diário, é abrigo, é uma teimosia bonita do afeto, esteja ele no colo de quem for.

Hoje é dia daquele pai que é pai no sentido mais puro da palavra. Mas é também da casa onde vivem dois pais, duas mães, e onde a firmeza e o cuidado se dividem do jeito que o coração decide. É dia da mãe que faz papel de pai desde sempre, equilibrando ternura e proteção. E é dia do avô e da avó que seguraram o rojão, abriram os braços e assumiram o comando quando a vida pediu mais um colo.


É dia de lembrar, com um carinho quieto, de quem guarda a saudade no peito porque o filho partiu cedo demais. De quem vive a ausência doída da distância ou das grades que separam do abraço.


É dia do pai que ganha presente comprado com moedinhas contadas — ou que não ganha nada porque o bolso tá vazio, mas tem como presente o cheiro do café coado e o riso solto pela sala. É dia do pai que ganha aquela gravata, pro forma, e do pai que não ganha embrulho nenhum, só o cafuné mais sincero do mundo.


Perto ou longe, com a mesa cheia ou no silêncio da lembrança, criar e cuidar continua sendo um ato de coragem.


A todo mundo que exerce, de peito aberto, esse verbo — entre erros, acertos, ausências superadas e presenças constantes —: um domingo leve, de paz e de afeto.


Feliz Dia dos Pais

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