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Ofício teimoso

O mais importante é a alma do texto


Por Lea Oksenberg


Ser jornalista é ter a memória longa e o tempo curto. Olhando hoje, a gente lembra que este ofício já foi mestre em metáforas forçadas: quando a verdade era proibida, entregávamos receitas de bolo e arvorezinhas no lugar das notícias. Foi o nosso jeito de dizer, no silêncio da censura, que algo estava fora do lugar.


Foto: Freepik.
Foto: Freepik.

De lá para cá, muita água passou. O diploma virou personagem de novela, em idas e vindas, mas quem é do trecho sabe que a técnica e o talento são o que nos seguram em pé. Ganhamos a jornada reduzida, aquela conquista que, na prática, nos permitiu a proeza de equilibrar dois ou três empregos para preencher as mesmas vinte e quatro horas. O malabarismo mudou de cara, mas o suor é o mesmo.


Passamos pelo "Inominável", pela hostilidade do cercadinho e por ventos que sopravam de Washington, sobrevivendo a ataques que tentaram transformar o fato em mera opinião e o repórter em inimigo. Mas, como jornalista nunca é a manchete — e sim a alma do texto —, seguimos.


Hoje o brinde é rápido, porque o fechamento não espera. Celebramos a carcaça grossa e a teimosia de continuar contando a história, mesmo quando tentam mudar o final.


Segue o jogo.

A gente quer ter voz ativa

No nosso destino mandar

Mas eis que chega a roda-viva

E carrega o destino pra lá...

Chico Buarque

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