OPINIÃO I Novo desenho geopolítico da América Latina: até onde a direita se sustenta?
- Pedro Carrano
- há 6 dias
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A dialética da História, sobretudo na América Latina, revela que as resistências a esse momento já estão se produzindo
por Pedro Carrano

As prováveis vitórias apertadas, ainda que contestáveis, dos extremistas de direita, Keyko Fujimori no Peru, e de la Espriella, na Colômbia, são vistas com apreensão pelos analistas e pela militância progressista. Sobretudo no caso da Colômbia, com indícios de intervenção do Estado de Israel nas eleições, e também no caso peruano, que arrasta uma crise institucional, o resultado das eleições ainda é questionado.
Porém, a preocupação geral não é à toa. Afinal se, em 2009, por exemplo, no auge da chamada Primavera Progressista no continente, havia 12 presidentes de centro-esquerda e de esquerda, o quadro de hoje, sobretudo na América do Sul, torna-se preocupante, na medida em que toda a faixa do Pacífico – Chile, Peru, Equador e Colômbia -, somada ao Cone Sul com Bolívia, Paraguai e Argentina -, tem agora governos neoliberais e de direita – quando não governos que podem ser classificados como neofascistas.
Os governos do Brasil, cuja eleição de outubro ganha contornos mais que decisivos, Uruguai e Venezuela (atualmente assediada pelos EUA) seguem sendo referentes de esquerda neste momento, quando o governo de Trump busca retomar incidência sobre nosso continente, pressionando esses países por meios institucionais, eleitorais e econômicos.
Dialética da História
No entanto, a atual situação deve ser vista como um filme e não apenas como uma foto. O tempo é de cautela e não cabe desesperos. A dialética da História, sobretudo na América Latina, revela que as resistências a esse momento já estão se produzindo – como se vê nas mobilizações de trabalhadores argentinos e bolivianos, por exemplo.
Por outro lado, a pressão sobre a histórica Cuba é um fator também decisivo para o atual cenário. A manutenção da resistência no auge de um período difícil seria uma sinalização importante.
É fato que a direita neoliberal e autoritária não entrega aquilo que promete e que as massas populares anseiam: resolver a crise, aplicar reformas estruturais, repartir o produto do trabalho, receber empregos de qualidade e serviços públicos voltados à população.
Embora prometa muito, o fascismo entrega – historicamente, como se sabe – pouco.
Capacidade de diálogo
No entanto, sim, devemos admitir, neste momento que a extrema direita tem tido muito mais capacidade de dialogar com um imaginário que envolve a pauta da Segurança, a preocupação com a família, os valores individuais, tudo isso, no Brasil e na América Latina, as forças de esquerda devem ter em conta quando elaboram um programa.
Em meio à crise, o que gera vínculo? O que fortalece? O que toca nas questões concretas para os trabalhadores, setores médios e massas populares? Essa deve ser a pergunta das organizações populares – da base até as ações políticas e das direções.




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