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OPINIÃO I Emergência hídrica no PR mostra quem é mais impactado pela crise climática

Estado decreta situação de emergência após meses de estiagem


Por Janayna Rodrigues


Moradora do Sabará, em Curitiba (PR), relatam dificuldades em relação à estiagem no bairro | Crédito: Giorgia Prates
Moradora do Sabará, em Curitiba (PR), relatam dificuldades em relação à estiagem no bairro | Crédito: Giorgia Prates

É corriqueiro que, ao se falar de crise climática, as pessoas a associem com eventos extremos como enchentes, queimadas ou outros grandes desastres socioambientais. Mas os impactos das mudanças climáticas também acontecem de forma gradual e silenciosa. O Paraná vive agora um desses cenários.


O Governo do Estado decretou situação de emergência hídrica em todo o território paranaense após meses de estiagem prolongada e redução significativa nos níveis de captação de água. O decreto tem validade de 180 dias e autoriza a adoção de medidas emergenciais para enfrentar os impactos da seca.


De acordo com dados do próprio governo, 69% dos pontos de captação monitorados no Estado estão fora da normalidade. Mais da metade opera em condição de “Rio Baixo” e outros 16,49% já enfrentam situação de estiagem.


Temperaturas acima da média agravam o cenário


Além da falta de chuva, o cenário ficou alarmante pela combinação entre a fase final do fenômeno La Niña - que ocorre naturalmente, mas é agravada pelas mudanças climáticas - e temperaturas acima da média, registradas em diferentes regiões do Paraná.


Em algumas áreas, os desvios térmicos chegaram a 2,8°C, acima do esperado, intensificando a evaporação da água e o ressecamento do solo. Na prática, isso impacta diretamente o abastecimento público, a agricultura, a produção de alimentos e a vida de milhares de pessoas.


Com a emergência hídrica, a Sanepar poderá adotar medidas como rodízio no abastecimento, campanhas de redução do consumo e ações para preservar os reservatórios. O uso de água potável para atividades não essenciais, como lavar carros, calçadas e encher piscinas, também poderá ser restringido.


Crise climática também aparece de forma silenciosa


A seca que atinge o Paraná não pode ser entendida apenas como um evento único ou efêmero. A crise climática também se revela de formas mais silenciosas, nas mudanças graduais que transformam o cotidiano das pessoas.


O aumento das temperaturas, os longos períodos sem chuva, os rios em níveis críticos e a dificuldade de acesso à água fazem parte de um cenário cada vez mais frequente. Esses sinais mostram como as mudanças climáticas já alteram os territórios, a dinâmica das cidades e a vida da população.


Falta de água aprofunda desigualdades sociais


Nesse contexto, devemos pontuar que os impactos da crise hídrica não atingem os territórios da mesma forma. Enquanto algumas pessoas conseguem enfrentar períodos de escassez com mais estrutura e segurança, outras populações convivem há anos com abastecimento irregular, falta de saneamento básico e dificuldade de acesso à água limpa. Em muitas periferias, áreas rurais e ocupações urbanas, a insegurança hídrica faz parte da rotina com ou sem a decretação da emergência no Estado.


Por isso, falar sobre crise hídrica é levantar a pauta sobre desigualdade social e racismo ambiental, sendo o último, um conceito que explica como populações negras, periféricas, indígenas e comunidades historicamente vulnerabilizadas acabam sendo mais expostas aos impactos ambientais e climáticos. Na prática, isso significa que os efeitos da falta d’água e da precariedade na infraestrutura não se distribuem igualmente pelas diferentes áreas do estado, atingindo primeiro quem já vive em contextos de maior vulnerabilidade.


Crise climática já reorganiza o presente


A emergência hídrica decretada no Paraná mostra que a crise climática é uma preocupação do agora, ela já interfere no abastecimento, na produção de alimentos, no cotidiano das cidades e na vida das populações mais vulnerabilizadas.


Mais do que medidas emergenciais, esse momento reforça a necessidade de políticas públicas voltadas para a adaptação climática, proteção dos recursos hídricos e justiça socioambiental.


Janayna Rodrigues é bióloga, educadora popular e militante do movimento popular. Foto: Acervo pessoal
Janayna Rodrigues é bióloga, educadora popular e militante do movimento popular. Foto: Acervo pessoal

Fontes:


BAND NEWS FM CURITIBA. Paraná decreta emergência hídrica por 180 dias por conta do tempo seco. Curitiba, 1 maio 2026. Disponível em: <https://bandnewsfmcuritiba.com/por-conta-do-tempo-seco-parana-decreta-emergencia-hidrica-por-180-dias/>. Acesso em: 1 maio 2026.


CBN CURITIBA. Sanepar declara emergência hídrica em todo o Paraná. Curitiba, 1 mai. 2026.. Disponível em: <https://cbncuritiba.com.br/materias/sanepar-declara-emergencia-hidrica-em-todo-o-parana/>. Acesso em: 1 maio 2026.


G1 PARANÁ. Paraná decreta situação de emergência hídrica. Curitiba, 01 mai. 2026. Disponível em: <https://g1.globo.com/pr/parana/videos-bom-dia-parana/video/parana-decreta-situacao-de-emergencia-hidrica-14574398.ghtml>. Acesso em: 1 maio 2026.


SANEPAR. Comunicado ao mercado. Curitiba, 30 abr. 2026. Disponível em: <https://ri.sanepar.com.br/docs/Comunicado-ao-Mercado-Sanepar-2026-04-30-NTphdJrk.pdf>. Acesso em: 1 maio 2026.


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