OPINIÃO I O que sobra da esquerda depois das eleições?
- Vigília Comunica

- há 3 dias
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A eleição é um momento importante da luta social e politização, mas jamais pode ser seu ponto de chegada
por Dalva Angélica e Kelvyn Alves. Militantes da Consulta Popular e do Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (MOTU)

O momento político nos assusta e ao mesmo tempo nos anima, nunca vimos uma oposição tão nítida contra o Imperialismo e um entendimento da posição Chinesa nas disputas internacionais.
É urgente consolidar uma elaboração de horizonte estratégico e futuro, além de melhorar nossa inserção no presente. No quente da hora vem chegando o período eleitoral e os partidos se animam, as candidaturas se colocam, o que deveria caracterizar um momento de mobilização popular nessa disputa institucional, mas o que vemos é uma disputa fratricida que empurra, desqualifica, humilha e joga para fora os sonhos da classe trabalhadora nesses espaços de representação.
Respeitar as lideranças de base nos territórios, construir um processo para superar os erros, construir vitórias para o povo, semear novos momentos. Como militantes somos passageiros, sendo preciso deixar uma herança de projeto, fincando uma prática, um processo, uma pedagogia socialista que precisa ser diferenciada.
É complexo nesse momento explicar que nem todos os partidos são eleitorais, entender que a manutenção do poder muitas vezes não aparece na eleição, ou seja, não se questiona o estado das coisas por dentro dele.
O Judiciário, muitas vezes chamado de partido da Lava Jato, o tráfico que opera na clandestinidade, a Globo que influencia o nível de consciência da população para manter a estabilidade ou derrubar presidentes quando lhe interessa.
Construir uma organização política é sobre ser capaz de desenvolver uma estratégia, alguns acham que é uma bandeira, um número ou somente um líder e seus eleitores.
Mas, quando falamos estratégia, nos referimos a abraçar um caminho coletivo para organizar um processo que nos permita chegar, onde nem sempre chegaremos, mas que sejamos capazes de semear um processo, uma pedagogia de poder.
Como bons militantes ajudaremos o nosso coletivo atravessar as barreiras que impedem a vitória, mesmo que não estejamos no dia do triunfo, semearemos e veremos o caminho ser construído para chegar a colheita.
Que possamos atravessar o período eleitoral fortalecendo nossas organizações, ampliando nossa capacidade de diálogo com o povo e construindo uma prática política que não se encerre na disputa das urnas e se confunda com a extrema direita.
A eleição é um momento importante da luta social e politização, mas jamais pode ser seu ponto de chegada. As vitórias institucionais têm valor quando são sustentadas por um povo organizado, consciente e capaz de defender seus próprios interesses. As derrotas, por sua vez, não podem significar o abandono do trabalho de base nem a fragmentação das forças populares.
Um país rico, de gente trabalhadora, precisa de organizações de base que abracem o trabalho popular e que contribuam com o processo de desenvolvimento de organizações políticas, chutar a extrema direita antes de chutar o companheiro, fazer florescer outro período.
Ao fim de cada processo eleitoral, é preciso ter alcançando nossas vitórias e também refletir o sobre o que fomos capazes de construir ao longo desse processo. Se formamos novos militantes, se fortalecemos as organizações populares, se criamos espaços de participação, se ampliamos a consciência política e se cultivamos relações de solidariedade entre aqueles que lutam por transformações sociais, então algo permanece.
É isso que sobra da esquerda depois das eleições: não apenas mandatos, votos ou cargos, mas uma organização mais enraizada, uma estratégia mais madura e um povo mais preparado para enfrentar os desafios do presente.
O verdadeiro legado da organização política é um povo organizado, consciente de sua força e comprometido com um projeto popular de nação. É nessa construção de esperançar, cotidiana e coletiva, que reside a possibilidade de fazer das eleições não um fim em si mesmas, mas sim outro passo na longa caminhada pela transformação estrutural da sociedade.
É necessário abrir o caminho e como diz Thiago de Melo poeta Amazonense, "Os que virão serão povo e saber serão Lutando."




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