OPINIÃO I Para a esquerda, só há uma realidade: o voto em Lula no primeiro turno
As alternativas mais avançadas e progressistas não podem ter contradição com esse fato
por Pedro Carrano

Não cabe, neste momento, qualquer ufanismo ou clima de já ganhou em relação a uma vitória de Lula no primeiro turno das eleições presidenciais. Porém, é importante a palavra de ordem e agitação, dentro da compreensão sobre a importância do voto em Lula neste momento.
A polarização eleitoral é uma realidade, tendo Lula como o principal representante neste ciclo da esquerda iniciado com o fim da ditadura militar no Brasil. E que tem o PT não como a única, mas como a principal ferramenta organizativa, sobretudo nos momentos da luta eleitoral.
Os setores progressistas, de esquerda e socialistas devem estar conscientes que uma vitória no primeiro turno, quanto mais expressiva, melhor inclusive para um início de possível segundo turno.
Votar, mesmo com críticas
Votar em Lula não significa, de forma alguma, deixar de lado as críticas e inclusive a demanda por um programa de governo mais avançado, o que é próprio das forças que buscam um projeto nacional e popular de reformas estruturais – Reforma Política, do Judiciário, Agrária e Urbana, além da redução da jornada de trabalho, para citar alguns exemplos.
No entanto, é preciso reconhecer que o momento é marcado por intenso assédio do imperialismo dos EUA e, em contrapartida, Lula tem respondido com uma posição soberana importante.
Ademais, o governo Lula não tem histórico de criminalizar a luta social, de onde ele é oriundo, exemplo que mostra que as condições de organização são melhores em seu governo do que com o retorno do neofascismo.
O governo Lula 3 enfrentou limites, porém é o governo do programa de aquisição de alimentos (PAA), do fortalecimento do Sistema Único de Saúde, que reduziu o desemprego que no governo Bolsonaro chegou a 13 milhões de pessoas.
É o governo que retirou o Brasil do mapa da Fome, um governo que voltou a dar um sentido público e nacional à nossa principal empresa, a Petrobrás.
Uma alternativa mais avançada virá apenas das ruas, de novas movimentações dos trabalhadores. Apenas essa movimentação mudaria a correlação de forças. A crítica é bem-vinda e a insatisfação social, compreensível.
No entanto, não há agora contradição para as forças populares em eleger Lula, mesmo com críticas, derrotar Bolsonaro de forma tática, e seguir lutando – pela derrota do neofascismo e pela construção de um novo ciclo organizativo dos trabalhadores. Seria absurdo exigir do processo eleitoral mais do que isso.
Isso não significa o ufanismo de acreditar numa vitória fácil no primeiro turno. O mais provável é o segundo turno, no qual é fundamental que Lula largue na frente, para ter um bom desempenho. Há todo um campo nesta reta final a ser disputado com tenacidade, propostas concretas e enfrentamento. Segundo a Nexus/BTG, 12% dos entrevistados afirmam que ainda podem alterar sua escolha no primeiro turno.
Mãos à obra. Derrotar o imperialismo de Trump, que tem atacado povos do mundo, e o neofascismo dos Bolsonaros, impedindo uma guinada completa da América Latina à direita, é um desafio gigantesco.
Não pode, portanto, haver vacilação.




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