Os dois Papas
- lazzarimlouize
- 14 de abr.
- 1 min de leitura
Atualizado: 23 de abr.
Por Lea Oksenberg
Abrir as redes sociais hoje é de indignar qualquer humano com um pouco de bestunto. É risível dar de cara com Donald Trump fantasiado de Jesus Cristo. Por um truque de computador, ele agora posa de santo, com túnica branca e uma luz saindo das mãos para curar enfermos. É o "Papa da Flórida" em seu delírio mais obsceno, pregando uma bondade que não sobrevive a cinco minutos de realidade.

Enquanto isso, o Papa Leão XIV — o de verdade, que não tem esses milagres de mentira — parece um grito solitário no meio do caos. É uma briga covarde. O Papa não tem o exército de robôs, nem os bilhões, nem a falta de caráter do Trump. Ele só tem a palavra. E contra um sujeito que se finge de enviado de Deus, a voz da paz é abafada pelo entulho dessa fraude estadunidense.
O Trump que cura na tela é o mesmo que dá as mãos ao Netanyahu e deixa o massacre correr solto. Netanyahu já não quer mais saber de política ou fronteiras; ele quer avançar sobre os vizinhos, esmagando vidas com a benção do "messias" americano. É uma santidade de fachada: nas redes ele é luz; na vida real, ele é o combustível da guerra. O "milagre" do Trump é conseguir ser, ao mesmo tempo, o Cristo da internet e o padrinho da matança. Enquanto a luz falsa brilha na tela, é o sangue de verdade que continua encharcando o chão.
O mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó…
O mundo é um moinho - Cartola




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