Os riscos na luta contra Flávio Bolsonaro e o neofascismo
- lazzarimlouize
- 15 de abr.
- 3 min de leitura
Por Pedro Carrano
Desde já, a disputa eleitoral de 2026 ganha a agenda e o debate político. Trata-se de uma eleição decisiva, na qual o principal nome da esquerda para derrotar o neofascismo é a candidatura de Lula.

A eleição atual consegue ser ainda mais polarizada que as anteriores. Certamente, no primeiro e, sobretudo, no segundo turno, a frente conformada pelo atual governo terá um raio de alianças menor. Passado o imaginário negativo da pandemia de Covid-19, a crise e as divisões burguesas que ajudaram a derrotar Bolsonaro, a classe dominante tem visto nesse momento oportunidade para desgastar o governo petista.
O neofascismo, reeditando o bolsonarismo, estará mais fortalecido, alinhado com a ofensiva de Trump sobre a América Latina e no plano mundial, ainda que Trump tenha sofrido uma derrota estratégica no Irã.
Não pode haver desespero na luta política, mas o cenário é de preocupação. Como informam diversos sites, mesmo nos bastidores do governo a avaliação é essa, com impactos no planejamento sobre a propaganda do governo e sua comunicação. Neste momento, de acordo com a pesquisa da Quaest, Flávio Bolsonaro passou Lula pela primeira vez e está à frente numericamente, com 42%, ante 40% do presidente – o que se configura como empate técnico. A disputa Lula contra Bolsonaro, em uma sociedade polarizada como a brasileira, não deixa espaço para os nomes da “terceira via” – isso tanto à direita como à esquerda.
Muita água ainda deve rolar. O governo, em seu último ano, tem a chance de apresentar programas e resultados, mas o jogo tende a ser duro. De um lado, os canais da esquerda estão mais diversificados, afinados na defesa do governo. No entanto, é fato que o governo Lula 3 herdou um cenário de terra arrasada do governo Bolsonaro e a sua recuperação foi lenta, com importantes programas, mas ainda de difícil enraizamento. Não houve espaços para reformas estruturais. E tivemos a lição de que alguns poucos (e importantes) momentos de enfrentamento, com a pauta da soberania nacional, produzem resultados importantes nas pesquisas. Mas a tônica não foi essa.
Não se trata apenas de uma falha na comunicação do governo, embora ela exista e as ferramentas das redes sociais sejam fundamentais na construção do imaginário popular. Porém, uma vez mais, o que parece ter faltado é militância: incentivo à organização popular, maior velocidade e recursos nos projetos voltados aos movimentos populares, na ponta, nas comunidades, além da criação de um contexto e a metassíntese* de um programa.
Afinal, qual foi a agenda e a palavra de ordem do governo? As ruas e a realidade trouxeram a bandeira da redução da escala e da jornada de trabalho, assumida por Lula, o que precisa ser propagandeado com ainda mais ênfase.
O fator central das dificuldades do governo Lula 3 ainda é a situação de um proletariado na defensiva, com número baixo de greves e mobilizações, impactado pelas consequências da reforma trabalhista, com graves consequências na fragmentação dos locais e dos contratos de trabalho e, com isso, abertura para todo tipo de incidência ideológica, fazendo com que trabalhadores de aplicativos, por exemplo, convivam com a propaganda neofascista.
Os desafios seguem sendo – e estarão colocados nessa disputa – dialogar e encontrar canais de diálogo com a base neopentecostal; explicar para o trabalho de base realizado no último período pelos movimentos populares os pequenos avanços conquistados e o risco de retorno da família Bolsonaro ao poder; o tema da soberania nacional e a postura do outro lado de vender o país para Trump.
Na mesma pesquisa da Quaest, 43% afirmaram que ainda podem mudar de candidato até as eleições. Além disso, 39% dos entrevistados acham que Flávio Bolsonaro seria diferente do pai, o que mostra um cenário para disputa e comunicação revelando todo o projeto do neofascismo e seu alinhamento com um projeto entreguista e belicista.
É preciso aproveitar também o fato de que, como revelou o livro “Brasil no Espelho”, da mesma Quaest, o brasileiro não tem perfil privatista. Defende o investimento do Estado.
A esquerda precisa estar atenta ao atual estágio de consciência das massas trabalhadoras, apostando nas bandeiras concretas do último período, pela redução da jornada de trabalho, contra o feminicídio, por maiores investimentos em indústria e em segurança, tomando cuidado para não cair naquelas pautas ideológicas e de costumes, para as quais justamente o inimigo está nos chamando.
• Metassíntese é a união de várias pesquisas qualitativas (entrevistas, relatos, experiências) sobre um mesmo tema para criar uma nova interpretação profunda e abrangente.




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