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Pastor de Flávio Bolsonaro tem longo histórico de ataques a Nossa Senhora Aparecida

30 de set.
2 min de leitura

A polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida trouxe à tona a relação de Flávio Bolsonaro com o bispo JB Carvalho, que já escreveu contra a devoção à santa e questionou seu título de Padroeira do Brasil


por José Pires


O episódio envolvendo Nossa Senhora Aparecida não nasceu apenas de uma notícia falsa. Embora não exista evidência de que Flávio Bolsonaro pretenda retirar da santa o título de Padroeira do Brasil, a proposta frequentemente citada é de 2007 e foi arquivada no ano seguinte, a polêmica expôs uma relação concreta entre o candidato e um líder evangélico que, há décadas, questiona frontalmente símbolos centrais do catolicismo.


Foto: Reprodução Redes Sociais
Foto: Reprodução Redes Sociais

JB Carvalho é fundador da Comunidade das Nações, igreja onde Flávio e sua mulher foram batizados em 2024 e em seu livro A Bomba – A Verdade Pode Ser Explosiva, sustenta que a devoção a Maria teria origem em cultos pagãos e afirma que a chamada “Rainha dos Céus” teria utilizado a imagem de Maria para ser adorada. A obra também questiona o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. Em meio à atual controvérsia, uma entidade chegou a recorrer à Justiça Federal contra a obra, alegando discriminação religiosa.


A proximidade não é apenas circunstancial. Carvalho é pastor da igreja frequentada por Flávio, e o próprio candidato levou obras do bispo ao pai, Jair Bolsonaro, durante visitas à prisão. Em agosto deste ano, Flávio também declarou que, caso chegasse à Presidência, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Após a repercussão, sua campanha afirmou que se trataria de uma oração simbólica durante a posse.


O episódio mais recente envolvendo diretamente Flávio ocorreu justamente durante a crise de Aparecida. Depois de negar qualquer intenção de mexer no título da santa, o candidato acusou integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de terem ajudado o PT a disseminar a informação falsa. A CNBB negou a acusação e afirmou não ter produzido, autorizado ou participado da divulgação de informações falsas. No dia seguinte, Flávio agradeceu publicamente à entidade por confirmar que a história sobre a retirada do título era falsa.


Mesmo que o projeto que pretendia tirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida não seja atual, o autor, Victório Galli, tem muita proximidade com a família Bolsonaro. Embora ele tenha apresentado o polêmico projeto de lei em 2007 (anos antes de se aliar ao grupo), ele se tornou uma figura alinhada ao bolsonarismo no Mato Grosso. Em fevereiro de 2019, após não conseguir se reeleger como deputado, Galli foi nomeado assessor especial da Presidência da República no governo de Jair Bolsonaro, atuando na articulação política dentro da Casa Civil.


Durante suas campanhas subsequentes no Mato Grosso, Galli costumava utilizar o slogan de "amigo do presidente" para reforçar sua ligação direta com Jair Bolsonaro. Além disso, registros públicos em suas redes sociais mostram agendas e fotos ao lado do ex-presidente, de Michelle Bolsonaro e de seus filhos.

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