Perguntas diante da falta de informações sobre o acordo petroleiro Trump/Delcy Rodríguez
“Os EUA vão impor seu controle político, armado e militar nos 17 campos petroleros?”
por Jose Antonio Egido, analista político*

Numerosas vozes relevantes de distintas matizes se levantam na Venezuela sobre a pouca nitidez que rodeia a notícia da assinatura de um acordo entre o governo ultra-direitista de Washington e as autoridades “encarregadas” da Venezuela.
Trump publica na sexta, 28 de agosto, en Truth Social, uma nota anunciando que os EUA se colocam com o “controle majoritário” de 65 bilhões de barris de reservas de Venezuela, “sem custo algum para o contribuinte estadounidense”. O que significa, afirma, “duplicar” as reservas petrolíferas dos EUA. E promete “grande prosperidade” para Venezuela.
No sábado, 29, a presidenta encarregada anuncia por Telegram “histórico acordo com o gobierno dos EUA”. Por que este acordo o anuncia primeiro o presidente Trump e no dia seguinte a autoridade venezuelana? Se trata de sublinhar que não é um acordo entre iguais em direitos, mas sim uma imposição trumpista?
Por que Delcy Rodríguez não tem negociado, segundo o mesmo Trump, com o secretário de energia do seu gobierno (Wright) mas com os secretários de Estado (Rubio) e Guerra (Peter Hegseth)?
Os EUA vão impor seu controle político, armado e militar nos 17 campos petroleros que controlariam? Neste caso, onde fica a “soberania” da Venezuela proclamada por Rodríguez na sua fala ao país na noite de 29 de agosto?
Por que a encarregada Delcy Rodriguez emprega a mesma linguagem que Rubio e Trump ao mostrar-se favorável à “segurança energética de nosso hemisfério”, linguagem jamais empregada por Chávez e nem por Maduro?
¿Por qué Marco Rubio sinaliza que os EUA se asseguram de “reservas estáveis petroleiras de baixo custo em nosso hemisfério”? Será que, como aponta o economista colombiano Marino Rengifo, o acordo prevê uns tributos em royalties e impostos para o Estado venezolano dos mais baixos do mundo? Daí que os baixos custos para as multinacionais gringas que extraiam e vendam petróleo?
Por que no mesmo post Rubio anuncia que este “acordo…impulsará a reconstrução da economia venezuelana”se é precisamente a política do imperialismo norteamericano com Obama, depois com o primeiro governo de Trump, seguido pelo de Biden e o segundo Trump, que destruiu a economia e bem-estar venezolanos e debilitou seu Estado? De verdade, é sincero seu bom ânimo com Venezuela?
De que maneira o povo venezulano se beneficiará de “milhares de empregos bem remunerados”, segundo Rubio, nesses campos petroleiros quando sem sanções nem agressões econômicas, nos anos Chávez, já houve milhares de empregos bem remunerados na indústria petroleira e de gás público venezuelano? O acordo contempla o levantamento das brutais sanções imperialistas?
Que empresas estadunidenses vão proporcionar os 100 bilhões de dólares en investimentos privados para reativar ou ativar os campos petrolíferos? E quanto aos benefícios em dólares obterão pelos seus nada desinteressados investimentos? É certo, segundo diz o Wall Street Journal, que o Pentágono compra ações de uma companhia privada para operar nos 17 campos petrolíferos venezulanos? Por que os mandatários não contemplam que uma condição do acordo é a liberdade imediata do presidente legítimo de Venezuela, Nicolás Maduro Moros?
Ao Rodríguez proclamar que de nada serve guardar no subsolo a reserva petroleira sem explorá-la, está renunciando ao plano dos 8 motores com que o presidente Maduro queria diversificar a economia venezolana convertida em exportadora de matéria-prima sob pressão estadunidense ao longo do século vinte?
Como vão a reagir as empresas chinesas China Concord Resources Corporation e Corporación Nacional de Petróleos de China, retiradas devido a este acordo dos campos no estado de Zulia? Por que o governo venezuelano elimina uma empresa mista petroleira com Belarússia? Os Rodríguez maltratam aos que têm sido os melhores aliados da Venezuela chavista?
O pagamento de roylaties, impostos e o petróleo rebaixado pelos EUA estarão submetidos ao mesmo esquema colonial atual em que os pagos pelas vendas internacionais de petróleo venezuelano vão para as contas do Tesouro dos EUA?
Por que o estranho paradoxo de que as Comunas e o governo se lançam a um processo de consulta sobre seus orçamento comunal enquanto esta negociação e acordo tem sido mantidos completamente de costas para a Assembleia Nacional, o debate público e a sociedade venezuelanas?
Que vantagens políticas obtém o grupo que está no poder na Venezuela representado pelos irmãos Rodríguez e Diosdado Cabello em troca do grande favor que fazem a Trump para que enfrente sua queda nas perspectivas eleitorais?
É certo que, como disse Trump no dia 30 de agosto, que este petróleo venezuelano servirá para reabastecer a Reserva Estratégica dos EUA e que a Venezuela dos irmãos Rodríguez lhe presenteia o petróleo?
Se Trump sequestra o presidente, controla os recursos petroleiros venezuelanos, mantém sanções, impõe a “compra” de campos petrolíferos de que extrairá petróleo a preço rebaixado, proíbe a relação com os aliados históricos da Venezuela, elogia como “muito respeitada” a presidenta encargada, será que a presidência venezuelana não a ocupam simplemente vítimas, como disse o professor Domínguez e outras pessoas, mas os que conscientemente estão se prestando a administrar a ocupação estrangeira?
*Sociólogo, analista internacional, foi asessor de Chávez e analista da Telesur.
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***Tradução de Pedro Carrano.





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