Pesquisador afirma: Lula precisa disputar voto das candidaturas do primeiro turno
“Em tese 90% dos votos dos nanicos são distribuídos. É um voto em disputa”, afirma Lucas Pelissari, da Unicamp.
por Pedro Carrano

O professor da Unicamp, Lucas Pelissari, tradutor do livro Manuscritos Matemáticos, de Marx (2025), analisou dados de transferência de votos nas eleições de 2014, 2018 e 2022, entre o primeiro e o segundo turnos.
Entre os dois candidatos que passam ao segundo turno parece haver, segundo o pesquisador, uma tendência de que um deles receba algo em torno 30% dos votos das outras candidaturas e o outro fique com 60%. Trata-se de um padrão repetido em eleições anteriores, com sensíveis variações.
Em 2018, Haddad precisou avançar sobre uma base maior de votação das demais candidaturas. Já em 2022, foi a vez de Jair Bolsonaro. Ele precisava de um índice maior para disputar o legado das candidaturas menores.
“Sem contar com brancos, nulos e abstenções, ou seja, imaginando que todos os votos dos ‘nanicos’ são transferidos para os dois principais candidatos, temos o seguinte: Em 2018, Jair Bolsonaro ficou com 32,24% dos votos dos outros candidatos e Fernando Haddad ficou com 59,39%. Já em 2022, Bolsonaro ficou com 66,32% dos votos dos outros candidatos e Lula ficou com 28,69%”, aponta Pelissari, em entrevista exclusiva para a Vigília.
No caso do pleito de 2026, se o número total de votos for o mesmo do segundo turno de 2022 (118.552.353) e tais votos se dividirem meio a meio entre os dois candidatos, em um virtual empate, a transferência de votos seguiria divisão muito semelhante a dos anos anteriores.
Nesse caso, desconsiderando abstenções, Flávio ficaria com 34,12% dos votos dos outros candidatos (aproximadamente 3,1 milhões de votos) e Lula com 58,30% dos outros candidatos (aproximadamente 5,4 milhões de votos).
“Em números relativos, é praticamente o que Haddad conseguiu em 2018. Já em números absolutos, é bem menos do que fez Haddad em 2018”, aponta Pelissari. E complementa: “Em termos de transferência de votos, me parece difícil sair dos '60 – 30', embora não impossível. Seria necessário olhar pesquisas mais específicas, mas, em tese, 90% dos votos dos nanicos são distribuídos. Portanto, é um voto em disputa”, aponta.
Conjuntura atual, porém, é muito mais difícil
Porém, como a conjuntura e a História são diferentes de eleições anteriores, e as candidaturas derrotadas no primeiro turno têm perfil e programa de direita, certamente Lula deve priorizar a conquista dos votos brancos, nulos e abstenções do primeiro turno.
Ainda assim, mostra o pesquisador, é necessário e possível avançar sobre esse voto dos candidatos "nanicos". "É possível dialogar com essas pessoas a partir de medidas concretas, já que nem todas votarão automaticamente em Flávio, simplesmente por terem escolhido um candidato de direita no primeiro turno", aponta.
Partindo da necessidade de conquista de 5,4 milhões de novos votos por Lula, Pelissari aponta que, numa projeção, poderia ser pensada a seguinte quantidade para Lula:
- 2,4 milhões de votos de outros candidatos;
- 3 milhões de votos de brancos, nulos e abstenções;
O primeiro número é menor do que Dilma, Haddad e Lula conquistaram em 2014, 2018 e 2022.
“Em 2014 e 2022, o total de brancos, nulos e abstenções caiu do 1º para o 2º turno, tendo havido diminuição de aproximadamente 1,5 milhão de votos. Em eleições acirradas, essa parece ser uma tendência, além do que, agora, o total de eleitores aptos a votar é bem maior que em 2014”, aponta.




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