PGR rejeita segunda proposta de delação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master
- lazzarimlouize
- 16 de jun.
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Ex-banqueiro preso desde março não apresentou fatos novos nem compromisso concreto de ressarcimento, segundo parecer encaminhado ao STF
por Adi Spezia
A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou, nesta segunda-feira (15), a segunda proposta de delação premiada apresentada pela defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do liquidado Banco Master. O parecer foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e recebido no gabinete do ministro André Mendonça, relator do inquérito. A manifestação da PGR acompanha o entendimento da Polícia Federal (PF), que também havia se posicionado contra o acordo.

Preso desde 4 de março, sob acusação de envolvimento em fraudes no sistema financeiro, Vorcaro buscava firmar um acordo de colaboração com as autoridades. No entanto, tanto a PGR quanto a PF avaliaram que a proposta não trouxe elementos inéditos capazes de contribuir para o avanço das investigações.
Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a equipe responsável pelo caso, a defesa não apresentou informações que alterassem o quadro já conhecido pelos investigadores. Em parecer, o Ministério Público Federal (MPF) considerou que a proposta não acrescentou fatos relevantes ao material já reunido ao longo da apuração.
Interlocutores ligados ao caso afirmam que a negativa da PGR seguiu os mesmos fundamentos adotados pela Polícia Federal. Entre os motivos apontados está a ausência de provas ou informações novas. Durante as investigações, a PF apreendeu ao menos oito aparelhos celulares pertencentes ao ex-banqueiro, ampliando o conjunto de evidências já disponíveis.
Outro fator considerado decisivo foi a falta de um compromisso efetivo de ressarcimento dos recursos que teriam sido desviados. Para os investigadores, a devolução dos valores envolvidos é um requisito fundamental para a viabilidade de qualquer negociação. Segundo interlocutores envolvidos no caso, a avaliação dentro da PGR era de que Vorcaro deveria sinalizar a restituição de pelo menos R$ 60 bilhões aos cofres públicos para que uma eventual proposta pudesse avançar.
Com a rejeição da segunda tentativa de colaboração, a expectativa é de que não sejam abertas novas negociações entre as partes.
Além da manifestação sobre a delação, a Polícia Federal solicitou a transferência de Vorcaro da Superintendência da corporação, em Brasília, para o Complexo Penitenciário da Papuda. Sem a homologação de um acordo de colaboração premiada, caberá ao ministro André Mendonça decidir onde o ex-banqueiro seguirá cumprindo prisão preventiva.
Segundo a PF, ele permanecia na carceragem da Superintendência no Distrito Federal em razão das negociações para a delação. O pedido de transferência ainda aguarda decisão do STF, e a PGR também deverá se manifestar sobre o caso.
Daniel Vorcaro é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura fraudes no sistema financeiro nacional envolvendo o Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), banco público vinculado ao Governo do Distrito Federal. De acordo com estimativas da Polícia Federal, os prejuízos apurados podem alcançar R$ 12 bilhões. As investigações seguem em andamento.




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