Privatiza que piora
- lazzarimlouize
- 3 de jun.
- 2 min de leitura
por Luis Lomba
Privatiza que melhora era a promessa do governo Ratinho Jr quando defendeu a implantação do programa Parceiro da Escola no Colégio Estadual Protásio de Carvalho, em Curitiba. Um ano e alguns milhões de reais depois, a escola está abandonada e a comunidade escolar se sente traída. Para termos uma ideia do descaso, há mais de uma semana os estudantes estão sem água nos banheiros. “O programa não supre as necessidades da escola e simplesmente legaliza o desvio de verba pública para a empresa parceira”, aponta Natália Santos Silva, secretária geral da APP-Sindicato, que congrega os educadores da rede pública estadual paranaense.

O programa Parceiro da Escola transfere a gestão de escolas públicas para empresas, que receberam R$ 155 milhões de janeiro a agosto de 2025 para administrar 82 escolas - de la para cá mais 82 colégios foram incluídos no programa. O objetivo anunciado seria a otimização serviços de manutenção e segurança, liberando a direção da escola para cuidar da parte pedagógica. Só que na prática o que se vê é bem diferente da promessa.
Segundo a dirigente, o colégio Protásio de Carvalho é administrado pela empresa Impulso, do grupo Salta. “Em 2025 descobrimos que a escola recebeu R$ 1,6 milhão de janeiro a agosto. No mesmo período a escola recebia do estado uma média de R$ 120 mil”, compara Natália. A diferença ninguém sabe onde foi parar, mas não foi aplicada na escola, como demonstram os vasos sanitários sem assento e as interdições de partes do pátio sem que os problemas sejam resolvidos.

“A escola continua funcionando unicamente graças à dedicação da comunidade escolar, professores e professoras, funcionários e funcionárias, pais, mães e responsáveis. Além dos problemas nos banheiros e da falta d'água, também faltam funcionários da segurança, da equipe da limpeza e inspetores de alunos; as portas das salas de aula estão sem batente e não fecham; o espaço da biblioteca foi diminuído, impedindo os estudantes de frequentar esse espaço”, relata Natália, que esteve no colégio essa semana. “Até com o projeto Horta do Protásio sem o consentimento do executor”, lamenta.
O Colégio Estadual Protásio de Carvalho fica na CIC e atende a 850 estudantes do conjunto Itatiaia e entorno, em dois turnos, manhã e tarde. O Parceiro da Escola foi imposto de forma autoritária pelo governo Ratinho Jr, depois que não houve quórum na consulta à comunidade sobre a privatização. Os problemas na escola foram apontados pela APP ao Núcleo Regional de Educação, mas o Sindicato ainda não recebeu resposta. “Existe a conivência da Secretaria de Estado da Educação (Seed) e o interesse em não divulgar os problemas do Projeto Parceiros da Escola”, afirma Natália.
O programa Parceiro da Escola foi criado pela Lei 22.006/24, proposta pelo governo Ratinho Jr e aprovada a toque de caixa pela Assembleia Legislativa, sem debate com os trabalhadores da educação. A APP puxou uma greve e colocou 20 mil educadores num protesto em Curitiba, mas não pode impedir que a lei fosse sancionada pelo governador. O tema está judicializado, com uma ação no Supremo Tribunal Federal impetrada pelo PT questionando a constitucionalidade da medida.




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