Quebra do Banco Master tirou emprego de mais de 1.500 bancários
- lazzarimlouize
- 7 de abr.
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Por José Pires
Dados são de nota técnica do Dieese. Documento aponta também perda de empregos indiretos, ressarcimento bilionário a investidores e risco de prejuízo em previdências privadas.

Diante de um dos maiores escândalos financeiros da história do Brasil, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) publicou uma nota técnica, no último dia 31, mensurando em números os prejuízos que a quebra do banco trouxe ao país.
Nos últimos meses, todas as instituições financeiras ligadas ao conglomerado Banco Master foram liquidadas. Isso significa que o Banco Central considerou a situação do grupo irrecuperável, determinando a interrupção das atividades e a retirada ordenada da instituição do Sistema Financeiro Nacional.
Em termos gerais, segundo a nota do Dieese, a liquidação do Banco Master busca evitar que a crise da instituição se propague para o restante do sistema financeiro. Durante a liquidação, as atividades operacionais são imediatamente encerradas e o Banco Central nomeia um liquidante para administrar a massa liquidada, bloquear bens dos administradores e realizar o ativo (venda de bens) para pagamento do passivo (dívidas).
Nesse processo, contas de clientes podem ser bloqueadas e operações como PIX e TED são interrompidas, enquanto aplicações como CDBs, LCIs e LCAs contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Além disso, postos de trabalho foram perdidos.
O levantamento do Dieese estima que pouco mais de 1.500 trabalhadores foram afetados diretamente, entre bancários e financiários. Entre os trabalhadores que perderam emprego estavam 500 do Banco Master; 750 da Will Financeira; 60 do Letsbank e 160 do Banco Pleno.
Além dos empregos diretos, a liquidação também tem impacto sobre os trabalhadores vinculados de forma indireta às atividades da instituição, incluindo prestadores de serviço, terceirizados e empresas que integram a cadeia operacional.
A nota do Dieese explica que a interrupção das atividades tende a provocar a redução ou o encerramento desses contratos, ampliando os efeitos da crise para além do núcleo formal do banco e atingindo diferentes segmentos do mercado de trabalho.
Ressarcimento bilionário a investidores
A nota do Dieese também revela que a liquidação do Banco Master desencadeou a maior atuação já registrada do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que deve desembolsar cerca de R$ 51,8 bilhões para ressarcir investidores. O valor corresponde a aproximadamente 43% de todo o patrimônio do fundo, evidenciando a dimensão sistêmica do colapso. Criado para proteger correntistas e investidores em caso de quebra de instituições financeiras, o FGC opera como um mecanismo de segurança do sistema bancário — mas, neste caso, foi levado a um nível de estresse inédito, revelando a magnitude do risco acumulado pelo banco antes da intervenção.
Embora o ressarcimento evite perdas diretas para parte dos investidores, o impacto tende a se espalhar por toda a economia. Como o fundo é sustentado por contribuições das próprias instituições financeiras, há expectativa de que o episódio pressione custos no sistema bancário, com reflexos indiretos no crédito, que pode ficar mais caro e restrito.
Prejuízos em previdências privadas
A liquidação do Banco Master também expôs a vulnerabilidade de recursos públicos aplicados no sistema financeiro, especialmente no caso de fundos de previdência. Segundo a nota técnica, cerca de R$ 1,8 bilhão pertencentes a esses fundos estavam investidos em ativos ligados ao banco, afetando potencialmente mais de 600 mil beneficiários.
Diferentemente dos depósitos de pessoas físicas, essas aplicações não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que amplia o risco de perdas diretas para servidores e aposentados que dependem desses recursos.
O episódio levanta questionamentos sobre a governança e os critérios de investimento adotados por fundos previdenciários, muitos dos quais buscam maior rentabilidade em operações mais arriscadas. Na prática, a exposição ao Banco Master pode se traduzir em déficits atuariais, pressionando contribuições futuras ou reduzindo benefícios. Para o Dieese, o caso evidencia a necessidade de maior rigor na regulação e na fiscalização dessas aplicações, sobretudo quando envolvem dinheiro público e a segurança financeira de milhares de trabalhadores.
Leia a Nota do Dieese em:




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