top of page

Senado aprova fim da escala 6x1 e reduz jornada de trabalho

há 6 dias
3 min de leitura

PEC garante dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial, e segue para promulgação após aprovação em dois turnos


por Adi Spezia


O Senado Federal aprovou, na quarta-feira (14), em dois turnos, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1 e estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial. A votação foi concluída na mesma sessão, em uma decisão que representa uma conquista para os trabalhadores.


Sessão do Senado em votação do fim da escala 6X1. Foto: Lula Marques | Agência Brasil
Sessão do Senado em votação do fim da escala 6X1. Foto: Lula Marques | Agência Brasil

A proposta recebeu 75 votos favoráveis e um contrário. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), vice-presidente durante o governo de Jair Bolsonaro, foi o único a votar contra o texto. Outros quatro parlamentares não compareceram à votação: Ciro Nogueira (PP-PI), Marcio Bittar (PL-AC), Rogério Marinho (PL-RN) e Sergio Moro (PL-PR).


Como os senadores mantiveram integralmente a versão aprovada pela Câmara dos Deputados cinco meses antes, a PEC não precisará retornar à análise dos deputados e seguirá para promulgação.


O presidente do Senado destacou a expectativa dos trabalhadores diante da mudança. "Neste momento, milhões de trabalhadoras e trabalhadores acompanham esta sessão com esperança. São pessoas que conhecem, na própria rotina, o valor de um dia a mais de descanso", disse o presidente do Senado.


A implementação será gradual. Dois meses após a promulgação, a jornada semanal deverá passar de 44 para 42 horas, com a garantia de duas folgas remuneradas por semana.


Relator da matéria no Senado, Omar Aziz (PSD-AM) ressaltou a dimensão da medida para os trabalhadores brasileiros. "Eu tenho certeza de que, desde a Constituinte de 1988, esta é a maior conquista dos trabalhadores brasileiros".


Em publicação nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, comemorou a aprovação. "O fim da escala 6x1 agora é realidade". Na sequência, acrescentou: "lutamos, discutimos e pressionamos para garantir que o Congresso votasse ainda este ano o fim da 6x1. Mas a voz do povo foi a voz que me conduziu para que, juntos, garantíssemos mais tempo para descansar, acompanhar os filhos e estar com quem amamos".


Durante a sessão, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, criticou a ausência dos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN).


Flávio Bolsonaro, que cumpria agenda de campanha no Rio Grande do Sul, registrou presença para participar remotamente da votação e votou a favor da PEC. Já Marinho não registrou presença e constou como ausente no painel.


Após a aprovação da PEC, Rick Azevedo (PSOL), vereador do Rio de Janeiro e fundador do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), celebrou a decisão em vídeo gravado no Senado. Ele classificou a votação como um “dia histórico” e agradeceu à classe trabalhadora. “Tudo isso surgiu de um balcão de farmácia, através da minha dor, através da minha luta, que vocês me deram voz”, relembra.



Disputa política e mobilização dos trabalhadores


A Central Única dos Trabalhadores (CUT) comemorou a aprovação da PEC e classificou o resultado como uma “vitória histórica da classe trabalhadora”. A entidade atuou na mobilização de trabalhadores e na pressão sobre parlamentares durante a tramitação. Com a aprovação, a CUT afirma que “o foco agora muda para a fiscalização da implementação da nova jornada em cada convenção e acordo coletivo”.


A votação também ganhou destaque no cenário eleitoral. A menos de duas semanas do segundo turno das eleições, o fim da escala 6x1 figura entre as principais bandeiras da campanha de reeleição de Lula.


Enquanto o presidente comemora a aprovação, Flávio Bolsonaro e aliados têm manifestado oposição à proposta e defendem o pagamento por hora trabalhada e negociação direto com o patrão. O modelo pode resultar em redução proporcional dos rendimentos, a depender da jornada cumprida e das regras adotadas.


O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), criticou o que classificou como “falta de dados para entender os impactos nos setores econômicos”. Apesar das ressalvas, afirmou que “um eventual governo de Flávio Bolsonaro pode corrigir isso”.

Comentários


bottom of page