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Sessão na Câmara que tentaria cassar Professora Angela é suspensa

O ritmo de maratona para atropelar a oposição contrasta com a lentidão com que a Casa trata denúncias graves envolvendo seus aliados


por Lea Okseanberg e Pedro Carrano



Na terça-feira (21), o presidente da Câmara Municipal de Curitiba, Tico Kuzma (PSD), convocou uma sessão extraordinária a ser realizada na sexta (24), às 9h. O texto circulou pelas redes e pelos corredores da Câmara.


O objetivo da reunião a toque de caixa seria o de votar a cassação do mandato da vereadora Professora Angela (PSOL). No entanto, medida judicial suspendeu a sessão ainda na tarde de quarta (22).


De acordo com informações, a atual decisão impede que a Câmara acelere a votação durante o recesso parlamentar. Esta é a segunda vez que a cassação é suspensa pelo Judiciário, diante de indícios de nulidade nos atos praticados pela Comissão Processante, que apontam para uma perseguição política, como aponta a vereadora Vanda de Assis (PT) em postagem nas redes sociais.


A reportagem da Vigília Comunica estava na Câmara, onde pôde conversar com Angela. A parlamentar estava motivada, vendo a decisão como resultado da mobilização, apontando agora o desafio de construir candidatura a deputada estadual.


"Mandato popular se conquista e se respeita nas urnas e no estrito cumprimento da lei. Não se cassam votos da população nem se atropela o direito à ampla defesa por conveniência política", afirmou Angela.

Dois pesos


A conveniência do calendário salta aos olhos. O relatório final da comissão estava pronto desde 12 de novembro do ano passado e ficou mofando nas gavetas da Casa por oito meses.


Porém, sob a alegação de que o prazo legal iria caducar após a queda de uma liminar, a Mesa Diretora resolveu pisar no acelerador e marcar o julgamento com apenas três dias de antecedência — o suficiente para espremer o tempo da defesa, abafar o debate público e desmobilizar a cidade.


Ritmo de maratona


O ritmo de maratona para atropelar a oposição, no entanto, contrasta com a lentidão com que a Casa trata denúncias graves envolvendo seus aliados. O próprio presidente da Câmara é alvo de investigação por suspeita de cobrança de "rachadinha" e venda de cargos públicos.


O esquema veio à tona em junho com a Operação Prática Corrente, deflagrada pelo Gaeco. Segundo o Ministério Público do Paraná, Tico Kuzma cobrava cerca de R$ 3 mil para indicar pessoas a cargos na Prefeitura, e os nomeados ainda precisavam repassar parte dos salários.


Mesmo diante de acusações desse calibre, não se vê no Palácio Rio Branco a mesma urgência para apurar a conduta de sua Presidência. A regra para a base governista continua sendo a paciência infinita: apurações a passo de tartaruga e a tradicional vista grossa do Conselho de Ética.

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