Sismmac repudia falas de Eder Borges no Conselho de Ética
- Pedro Carrano
- 4 de ago.
- 4 min de leitura
Vereador dobra a aposta e ataca presidenta do sindicato
por Manoel Ramires e Pedro Carrano

Alvo de denúncia no Conselho de Ética, o vereador Eder Borges (PL) dobrou a aposta e atacou a presidenta do Sindicato Municipal do Magistério de Curitiba (Sismmac).
O advogado do parlamentar, Pierre Lourenço, afirmou que a presidente do SISMMAC, Diana Abreu, era "muito sensível", tentando deslegitimar a denúncia.
Em nota, o sindicato afirma que “o ataque foi machista, covarde, oportunista e juridicamente reprimível”. Éder Borges foi denunciado por fazer “sinal de arminha” durante uma audiência pública que contava com a participação do magistério municipal. O caso será analisado pelo plenário da Câmara de Curitiba.
De acordo com a nota do sindicato, durante a sessão do Conselho de Ética da Câmara Municipal de Curitiba, que aprovou o relatório que indica punições ao vereador Eder Borges pelo incentivo ao uso de armas contra professoras, o advogado do parlamentar, Pierre Lourenço, afirmou que a presidente do SISMMAC, Diana Abreu, era "muito sensível".
Em resposta, o sindicato disse que "somos sensíveis, mas somos fortes”. A entidade repudiou a fala, considerando a postura como ataque machista, covarde, oportunista e juridicamente reprimível.
“Covarde porque Diana não estava presente para se defender. Machista porque tenta reduzir uma liderança feminina ao estereótipo da mulher frágil, desviando o foco da agressão para desqualificar a vítima. Oportunista porque o advogado sabia que a sessão estava sendo transmitida e se aproveitou para criar conteúdo radicalizado para redes sociais”.
Violência Psicológica
Ainda de acordo com a nota, essa tática tem nome: gaslighting, violência psicológica para fazer a vítima duvidar de sua própria percepção.
“A Lei Mariana Ferrer foi criada porque o Estado reconheceu que atacar a moral de uma mulher para inocentar o agressor não é advocacia. É violência. Se isso não for tolerado nos tribunais, não aceitaremos que seja normalizado na Câmara de Curitiba”, discute a nota.
Para a entidade, “Diana Abreu não foi sensível demais. Sentir-se ameaçada por apologia ao uso de armas não é fragilidade, é a reação legítima de quem representa uma categoria que convive com essa violência crescente. Desde 2019, ataques armados contra escolas se multiplicaram, causando dezenas de mortes, impulsionados pela lógica de ódio que transforma a ofensa ao magistério em estratégia eleitoral. Minimizar essa ameaça é cumplicidade”.
Censura ao vereador
Por unanimidade, os membros do CDEP concordaram com a relatora Laís Leão que uma eventual punição deve ser decidida pelo plenário da CMC, já que o caso pode ser mais grave do que a classificação inicial feita pela Corregedoria da Câmara.
À frente da Corregedoria, o ex-vereador Sidnei Toaldo havia enquadrado o episódio como de menor gravidade, indicando a punição de censura pública, que poderia ser decidida no âmbito do próprio Conselho de Ética.
CONFIRA A ÍNTEGRA DA NOTA
"Somos sensíveis, mas somos fortes
Nota de repúdio ao ataque machista do advogado do vereador Éder Borges
Durante a sessão do Conselho de Ética da Câmara Municipal de Curitiba que aprovou o relatório que indica punições ao vereador Éder Borges pelo incentivo ao uso de armas contra professoras, o advogado do parlamentar, Pierre Lourenço, afirmou que a presidente do SISMMAC, Diana Abreu, era "muito sensível".
O ataque foi machista, covarde, oportunista e juridicamente reprimível. Covarde porque Diana não estava presente para se defender. Machista porque tenta reduzir uma liderança feminina ao estereótipo da mulher frágil, desviando o foco da agressão para desqualificar a vítima. Oportunista porque o advogado sabia que a sessão estava sendo transmitida e se aproveitou para criar conteúdo radicalizado para redes sociais. Essa tática tem nome: gaslighting, violência psicológica para fazer a vítima duvidar de sua própria percepção. A Lei Mariana Ferrer foi criada porque o Estado reconheceu que atacar a moral de uma mulher para inocentar o agressor não é advocacia. É violência. Se isso não é tolerado nos tribunais, não aceitaremos que seja normalizado na Câmara de Curitiba.
A covardia evidencia o esgotamento técnico da defesa. Sem justificativas para o gesto do vereador, o advogado tentou desqualificar nossa presidenta e, ferindo novamente a ética advocatícia, ainda imputou opiniões inexistentes sobre fatos alheios ao processo, repetindo a tática que a Lei Mariana Ferrer proíbe: usar fatos estranhos ao caso para atacar a honra da vítima.
Diana Abreu não foi sensível demais. Sentir-se ameaçada por apologia ao uso de armas não é fragilidade, é a reação legítima de quem representa uma categoria que convive com essa violência crescente. Desde 2019, ataques armados contra escolas se multiplicaram, causando dezenas de mortes, impulsionados pela lógica de ódio que transforma a ofensa ao magistério em estratégia eleitoral. Minimizar essa ameaça é cumplicidade.
Expressamos nosso repúdio à estratégia machista do advogado e nosso apoio a todas as mulheres que enfrentam a violência política de gênero.
Somos sensíveis a todas as dores do magistério. Mas somos fortes para combater tudo que aflige, oprime e constrange as mulheres da nossa categoria e de toda a sociedade."




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