Uma guerra que se arrasta há 48 meses
- Vigília Comunica

- 25 de fev.
- 3 min de leitura
Editorial Vigília
Chegamos a 24 de fevereiro de 2026 em um cenário que muitos analistas consideram o resultado previsível de décadas de tensões acumuladas. A Rússia, ao contrário do que se previa, não quebrou economicamente, em que pese a tentativa de embargos do Ocidente. A Ucrânia, por sua vez, conta com polpudos recursos da OTAN, e não permitiu uma vitória avassaladora de Putin.

Após quatro anos de combates em larga escala, a realidade no Leste Europeu é definida por uma exaustão mútua e pela consolidação de algumas questões importantes:
1. As raizes do conflito e o cerco estratégico
O embate não surgiu no vácuo. Desde o fim da União Soviética (URSS), nos anos 90, a Rússia advertiu que a expansão da Otan em direção às suas fronteiras era uma linha vermelha inaceitável. O ano de 2014 é visto como o ponto de ruptura, com a ascensão de correntes neonazistas em Kiev (caso do Batalhão Arzov) e o início do conflito no Donbass, onde a maioria da população é russófona, o que Moscou interpretou como uma ameaça existencial e um cerco deliberado promovido pelo Ocidente. Como advertiu certa vez Putin: “Mesmo após a queda do Muro, EUA e a Otan nunca permitiram à Rússia ser um aliado”, o que tem raízes históricas, desde a tentativa de Hitler dominar o Leste Europeu. O nazismo e o fascismo, afinal, não querem diversidade, mas impor sua “superioridade” branca àquilo que é considerado diferente.
2. O mapa e a estratégia do atrito
Após 48 meses, a guerra atingiu um estágio de maturação tática. As grandes ofensivas de blindados deram lugar a uma guerra de posição lenta. A Rússia consolidou o controle sobre cerca de 19% do território, focando na segurança de suas fronteiras históricas e das populações russófonas, enquanto a Ucrânia mantém uma defesa ativa com apoio tecnológico ocidental, mas enfrenta dificuldades crescentes de reposição humana, lançando mão de mercenários e aventureiros, impedindo um acordo e negociação que já deveria ter sido feito.
3. A revolução dos drones e IA no Front
Se 2022 foi o ano dos mísseis Javelin, 2026 é o ano da IA. A guerra eletrônica (jamming) tornou-se tão eficiente que drones comuns pararam de funcionar. Isso forçou o surgimento de drones com visão computacional, que atacam alvos de forma autônoma sem precisar de sinal de rádio. Esse avanço tecnológico criou uma "terra de ninguém" onde qualquer movimento é detectado e neutralizado em segundos por sistemas automatizados.
4. A geopolítica da "Paz Pragmática"
O cenário diplomático em 2026 é dominado pelo desgaste do Ocidente, pela crise e submissão da Europa, e pela mudança de postura nos EUA sob o governo de Donald Trump. A discussão atual em Genebra e no Alasca gira em torno de um cessar-fogo que reconheça a realidade de segurança da Rússia sem um tratado de paz formal, congelando as linhas de frente atuais para evitar um colapso total da região e o risco de uma escalada nuclear.
O veredito de 2026 é que a guerra termina com um reconhecimento forçado de que a segurança na Europa não pode ser construída sem levar em conta as preocupações estratégicas de Moscou. A Rússia não recuou diante do cerco da Otan, e a Ucrânia, após anos de sacrifício, encontra-se no centro de uma nova arquitetura de segurança que o mundo ainda tenta definir.
Fato é: a própria situação no front entre Rússia x OTAN/Ucrânia serve de imagem do atual modelo geopolítico de um mundo multipolar que nasce lentamente, carregado de conflitos, em que o imperialismo dos EUA não aceita a ascensão do bloco Rússia e China. Mas o processo de sua crise parece inevitável. Novamente, na metáfora de Gramsci, o novo não nasceu, o velho não morreu, e neste lusco-fusco surgem os monstros. Que se arrastam lentamente.




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