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Viagem, saúde e desinteresse estão entre os principais motivos da abstenção eleitoral em 2026

há 7 dias
2 min de leitura

Pesquisa Datafolha aponta viagem, problemas de saúde e desinteresse como principais motivos para a ausência nas urnas, em um primeiro turno marcado pelo recorde de abstenção, com mais de 33 milhões de eleitores fora da votação


por José Pires


Viagens, problemas de saúde, desinteresse pela disputa e compromissos profissionais estão entre os principais motivos que levaram milhões de brasileiros a não votar no primeiro turno das eleições de 2026. Uma pesquisa do Datafolha, divulgada no último dia 9, mostra que 19% dos eleitores que deixaram de comparecer às urnas estavam viajando ou fora de sua cidade.


Foto: Agência Brasil.
Foto: Agência Brasil.

Outros 18% alegaram questões de saúde, enquanto 13% afirmaram não ter interesse na eleição, nos candidatos ou não ter encontrado uma opção de sua preferência. E compromissos de trabalho foram apontados por 9% dos entrevistados como motivo da ausência.


O levantamento revela também que a falta de documentos foi mencionada por 7% dos eleitores que não votaram. Já 6% disseram que o local de votação ficava muito distante, enquanto 5% estavam ocupados com outros compromissos.


Filas ou locais de votação cheios foram citados por 4%, percentual igual ao dos que alegaram motivos relacionados à idade. Outros motivos somaram 17%, e 3% dos entrevistados não souberam responder. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.


Os dados ajudam a compreender um cenário preocupante para a participação democrática. No primeiro turno de 2026, a abstenção atingiu 20,8% dos eleitores aptos a votar, o equivalente a mais de 33 milhões de pessoas. O índice representa um recorde em comparação às quatro eleições anteriores. Embora parte das ausências esteja relacionada a circunstâncias práticas, o desinteresse declarado por uma parcela dos entrevistados aponta também para dificuldades de mobilização do eleitorado.


O voto ainda importa, mas perde espaço no cotidiano


Já uma pesquisa divulgada em setembro de 2026, intitulada O Valor do Voto, identificou um descompasso entre a importância atribuída pelos brasileiros à democracia e a disposição de transformar essa percepção em participação eleitoral. Elaborado por uma aliança de 230 organizações da sociedade civil, o estudo aponta que 85% dos entrevistados pretendiam votar no primeiro turno e 82% defendem que o resultado das urnas seja respeitado, independentemente de quem vença.


Ao mesmo tempo, o levantamento identificou uma queda na confiança no sistema eletrônico de votação: em 2026, 34% dos brasileiros demonstravam dúvidas sobre a lisura das urnas, ante 20% em 2022. O documento também aponta que a abstenção chegou a quase 30% nas eleições municipais de 2024, em comparação com cerca de 20% em 2022. Os indicadores sugerem que a ausência nas urnas não pode ser explicada por um único fator, mas envolve desde obstáculos cotidianos até o distanciamento da política e a desconfiança nas instituições.


O estudo também analisou 712 conteúdos de desinformação que circularam durante as eleições de 2022 e 2024. Desse total, 45% questionavam diretamente o funcionamento das urnas eletrônicas.

As mensagens recorriam a supostas explicações técnicas sobre falhas no sistema e a depoimentos de pessoas comuns para disseminar dúvidas e dar a impressão de que havia um movimento coletivo de contestação do processo eleitoral.

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