Vorcaro nega participação em grupos investigados por coação e intimidação
Em depoimentos à Polícia Federal, ex-banqueiro e pai negaram envolvimento com “A Turma”; investigações também apuram menções a cinco ministros do STF em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro
por Adi Spezia
Em novo depoimento à Polícia Federal (PF), na tarde de quarta-feira (30), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, negou qualquer participação em atos violentos ou de caráter intimidatório contra desafetos. Ele também afirmou não participar nem sequer conhecer a existência dos grupos denominados “A Turma” e “Os Meninos”.

Segundo as investigações da PF, a existência desses grupos foi identificada a partir de mensagens extraídas do celular do próprio Vorcaro. As evidências vieram à tona com o avanço das apurações, que incluem conversas obtidas no celular do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.
Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que, “com o efetivo acesso da Defesa ao inquérito que investiga a suposta existência de grupos como ‘A Turma’ ou ‘Os Meninos’, ficou comprovado que tais expressões jamais designaram grupos específicos ou estruturas organizadas”, acrescentando que não há qualquer ilicitude ou prática criminosa que possa ser atribuída ao ex-banqueiro.
Quando determinou as prisões do ex-banqueiro — a primeira em 17 de novembro de 2025 e a segunda em 4 de março de 2026 —, o então relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, descreveu “A Turma” como uma “estrutura utilizada para realizar atividades de monitoramento e coleta de informações de interesse do grupo investigado, bem como pela prática de atos de coação e intimidação de pessoas”, entre elas concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas.
Segundo a PF, o grupo era comandado por Henrique Vorcaro, pai de Daniel. O depoimento do ex-banqueiro foi marcado justamente para tratar das atividades desse grupo.
Em depoimento à PF também na quarta-feira (30), Henrique Vorcaro negou ser o articulador de “A Turma” e afirmou ter mantido apenas relações comerciais com três dos integrantes do grupo.
A defesa de Henrique Vorcaro contestou a manutenção da prisão do cliente e a falta de decisões no âmbito do processo no STF. Em nota, afirmou que não há relator responsável por decidir sobre os pedidos apresentados e que as solicitações encaminhadas ao ministro André Mendonça, quando ele ainda era o relator do caso na Corte, não tiveram resposta.
O caso Vorcaro e o STF
Dois dias antes dos depoimentos de Daniel e Henrique Vorcaro, o ministro do STF Gilmar Mendes solicitou a identificação de todos os ministros da Corte e dos juízes mencionados nas investigações relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A solicitação foi apresentada na segunda-feira (28), por meio de uma questão de ordem no âmbito de uma petição em que o STF analisa a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
Para Gilmar Mendes, o julgamento envolvendo Moraes deve permanecer suspenso até que o Supremo seja informado sobre todos os magistrados citados nas conversas extraídas do celular de Vorcaro. Segundo o ministro, a identificação é necessária para determinar quais integrantes da Corte podem participar dos julgamentos de processos relacionados ao Banco Master.
Ainda no STF, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, deverá orientar a Polícia Federal sobre como proceder em relação às referências a cinco ministros do Supremo encontradas em mensagens extraídas do celular de Vorcaro.
A PF solicitou uma reunião com Fachin, mas, até o momento, não há confirmação de que o encontro tenha sido agendado.
Segundo informações analisadas pela PF, os dados extraídos do aparelho de Vorcaro contêm menções aos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça.




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