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Artigos escritos no calor das lutas

"Desafios e Tarefas da Organização Popular" é uma seleção de Pedro Carrano, que passa pela soberania, condição dos trabalhadores desde o golpe de 2016, além de reflexões sobre trabalho de base


Redação Vigília


Pedro Carrano publica seu décimo segundo livro, com uma seleção de dez anos de artigos de opinião
Pedro Carrano publica seu décimo segundo livro, com uma seleção de dez anos de artigos de opinião

Jornalista da Vigília Comunica, escritor, militante político e do movimento popular, não necessariamente nesta ordem, Pedro Carrano, 45, apresenta agora "Desafios e Tarefas da Organização Popular" (Kotter Editorial, 2026), sua décima segunda publicação. Ele que já publicou narrativas jornalísticas, além de poesia, contos e romance, agora envereda pelo ensaio político.


Esta seleção de artigos da editora Kotter, com introdução de Camila Mudrek e Fernando Marcelino, reúne uma década de reflexões críticas sobre os movimentos sociais e a esquerda no Brasil, visto que aborda minuciosamente o complexo período entre os anos de 2015 e 2025.


Consequentemente, Carrano, autor voltado à práxis, que já integrou as coordenações de diferentes frentes de lutas – de organizações políticas, sindicais, populares, fóruns de democratização da mídia e a Vigília Lula Livre – examina os recuos e vitórias da classe trabalhadora, embora foque, sobretudo, na necessidade urgente de um projeto popular soberano para o Brasil. Estão no radar do autor, nos quatro capítulos do livro:


- Resistência dos trabalhadores e novos desafios organizativos;


- Soberania nacional e defesa das empresas públicas;


- Unidade da esquerda, questão do poder do Estado e estratégia da revolução brasileira;


- Trabalho de solidariedade e popular das organizações a partir da crise da pandemia;


Ruptura necessária


Entre outros temas, Carrano investiga a desindustrialização acelerada e, por conseguinte, a tentativa de desmonte de setores estratégicos, tais como a Petrobras e a Eletrobras após o golpe de 2016 contra o governo Dilma Rousseff, visando, assim, a denunciar o avanço predatório do capital financeiro internacional.


Em virtude disso, a obra propõe uma ruptura necessária com a dependência econômica, enquanto defende a valorização do serviço público nacional. A cada artigo, Carrano resgata a síntese de um momento, as principais elaborações e as polêmicas que predominavam no campo progressista.


"Foram textos escritos no calor da luta, que julguei que ainda têm um papel como documento histórico. Mais do que isso, são reflexões a partir das trincheiras em que toda uma geração esteve inserida, de onde elaboramos coletivamente, a partir das nossas organizações. E me remeto, além disso, aos pensadores que me acompanham nessa caminhada: Florestan Fernandes, Martha Harnecker, Armando Boito, Carlos Marighella, Roque Dalton, Manoel Piñero, Fidel e Chávez, além, como pano de fundo de tudo, Marx e Lênin", aponta o autor.


Unidade e lutas concretas


Por fim, o conjunto do livro destaca a relevância do trabalho de base cotidiano nas periferias, posto que a unidade das esquerdas é crucial para enfrentar o neofascismo emergente no país.


Carrano reafirma o período de defensiva da classe trabalhadora e derrota estratégica com o golpe de 2016, quando houve a aplicação de terceirizações, reformas trabalhistas e previdenciárias, além da queda do número de greves e mobilizações.


Porém, o autor é crítico - e aqui talvez esteja a principal força do livro - de concepções imobilistas, de conceitos como o “pobre de direita”, como “a esquerda morreu”, o que, para Carrano, apenas afasta as organizações populares de uma base social que precisa ser reconquistada a partir de suas lutas concretas. O autor sistematiza caminhos para a esquerda num período contrarrevolucionário, indicando que a dificuldade desse momento, a ausência de mobilizações e movimentação da classe, não significa um período sem tarefas para a esquerda.


Em suma, Carrano oferece uma bússola teórica indispensável, pois extrai lições práticas das trincheiras para, finalmente, apontar um caminho para driblar a iminente barbárie política.


"Relutei em fazer essa publicação, alguns assuntos ainda quero aprofundar mais. Mas julguei que o livro cumpre um papel, principalmente para uma geração de ativistas, de jovens que estão chegando aí, de lideranças surgidas nos trabalhos de solidariedade. Algo que mostre: nesses trinta anos muito difíceis, esses são os nossos debates, as nossas construções, nossos limites, nossos acertos e erros", elabora.


Autor esteve presente na coordenação da Vigília Lula Livre e Frente Brasil Popular Paraná - experiências que estão presentes na análise do livro
Autor esteve presente na coordenação da Vigília Lula Livre e Frente Brasil Popular Paraná - experiências que estão presentes na análise do livro

Quem é? Pedro Carrano


Pedro Carrano nasceu em São Paulo (São Paulo), em 1980, e vive em Curitiba. É escritor, militante e jornalista.


Seus trabalhos abrangem poemas, romances, contos, diários e reportagens. Autor dos romances Com os Ossos Abertos, A Engenheira da Memória e Guatemala (no prelo). No campo da crônica e do conto, publicou Meninos Sem Matilha (Kotter, 2019) e Dias Urgentes (Expressão Popular, 2023).


Na condição de repórter e militante social, esteve em vários países latino-americanos, acompanhando fatos políticos, do movimento zapatista, no México, passando pela América Central, até a eleição e queda de governos no Paraguai, Bolívia, Equador, entre outros.


Como militante, é um dos fundadores da Frente de Organização dos Trabalhadores (FORT), da União de Moradores, além da ferramenta da Vigília Comunica. Nacionalmente, constroi a campanha Despejo Zero e a organização Consulta Popular, por um projeto popular para o Brasil.


Lançamento será em centro cultural em área de ocupação


O autor está aberto a entrevistas e debates, e o lançamento do livro está apontado para o dia 3 de junho, em Curitiba, no Centro Cultural e de Educação Popular (CCEP) da ocupação Guaporé 2, às 19 horas. A Guaporé fica no bairro Campo Comprido, na rua Rosamélia de Oliveira, 811. Contato: Josi


"Atuamos há anos cotidianamente na campanha Despejo Zero, na Frente de Organização nas áreas de ocupação. Não teria outro local que uma ocupação para lançar esse livro, que quer ser acessível pras lideranças e para a militância popular, política e social. Quero o livro lançado na nossa casa, no local em que devo muito da minha formação", afirma o autor.


O autor está aberto a entrevistas e debates, e o lançamento do livro está apontado para o dia 3 de junho, em Curitiba, no Centro Cultural e de Educação Popular (CCEP) da ocupação Guaporé 2
O autor está aberto a entrevistas e debates, e o lançamento do livro está apontado para o dia 3 de junho, em Curitiba, no Centro Cultural e de Educação Popular (CCEP) da ocupação Guaporé 2

 
 
 

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