Setor privado volta a dominar o número de greves em 2025
- lazzarimlouize
- há 19 horas
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87% das greves ainda revelam caráter defensivo, de acordo com Dieese
por Pedro Carrano
Depois de longo período, a partir de 2017, de baixa no número de greves, os dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) voltam a apontar tendência de crescimento do movimento paredista nos últimos dois anos – sinal de melhoria na condição econômica no período Lula 3, que garantiu maior oferta de emprego em relação ao governo Bolsonaro.

Foram registradas 539 greves lideradas pelos trabalhadores da esfera privada, que contabilizaram quase 13 mil horas paradas, em face de 466 na esfera pública. Por sua vez, as greves ocorridas no setor de serviços corresponderam a 69% dessas mobilizações e a 58% das horas paradas.
O total de greves de 2025 aumentou 14% em relação ao ano anterior – de 880 para 1.006. Na maioria dos casos (73%), de acordo com a pesquisa, houve algum êxito no atendimento das reivindicações.
Embora de maior duração na esfera pública, novamente trabalhadores da iniciativa privada realizaram mais greves do que comparando com o funcionalismo público, o que significa mais um sinal positivo, de melhores condições para o movimento paredista.
No entanto, é fato, 24,5% das greves ocorreram por melhores condições de trabalho. A precarização do trabalho é uma questão muito presente, sobretudo depois de aplicação das terceirizações, reforma trabalhista e previdenciária dos governos Temer e Bolsonaro.
Limites da greve
Mais da metade das greves realizadas pelo funcionalismo público (56%) encerraram-se no mesmo dia em que foram deflagradas. Entre as mobilizações que mais se alongaram, 12% duraram mais de 10 dias. Em 32% dos casos houve algum tipo de envolvimento do Poder Judiciário. O que indica o limite que as greves enfrentam no Brasil com a Lei de Greve de 1989 e mecanismos como interdito proibitório, multas etc.
A greve, no Brasil, é um direito constituído, no entanto é limitada por uma série de mecanismos da patronal e do Poder Judiciário.
Com isso, o trabalhador realiza a mobilização, mas não consegue sustentá-la por muito tempo. A mobilização realizada por meio de paralisações de advertência (63%) foi predominante.
A grande maioria das greves (91%) foi organizada no âmbito das empresas. Ou seja, o que demonstra ainda uma ação fragmentada e poucas greves por ramos nacionais.
Chama a atenção também a demanda por pagamento de salários, 51,6%, em atraso no setor privado de serviços, mostrando a precariedade do setor.




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